Mostrar mensagens com a etiqueta Elba. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Elba. Mostrar todas as mensagens
22 junho 2012
"Caminho pelo lado da rebentação das ondas..."
"Caminho pelo lado da rebentação das ondas ―
o litoral guarda segredo dos meus passos entre
as redes de sal trazidas pelos barcos
o labirinto das algas ainda agora oferecidas
à praia. Sinto-me à mercê das falésias a riscar
o teu nome na areia; e é como se lentamente
pronunciasse um chamamento triste a que ninguém
acode. Fez-se tarde para os lamentos das sereias:
agora as marés dobam novelos de espuma à roda
dos meus pés, as águas já não transportam
a minha voz, a perder-se sobre as dunas
que os ventos vão desbastando devagar
ao cair da noite. Tenho sempre medo que não voltes."
(Maria do Rosário Pedreira)
20 junho 2012
"Sentaram-se na areia ..."
"Sentaram-se na areia e descalçaram os sapatos.
Puseram-se a contar pelos dedos os barcos
que faltariam para chegar o Verão.
Nenhum deles falava. Tinham passado juntos
algumas noites, num quarto sem vista. E, embora
julgassem o contrário, não conheciam um do outro muito mais do que isso.
Estavam ali sentados para ver se acontecia alguma coisa.
No Verão
alguém viria forçosamente buscá-los."
(Maria do Rosário Pedreira)
19 junho 2012
"Amávamos ambos as falésias..."
"Amávamos ambos as falésias, o recorte das escarpas,
o desenho irregular dos promontórios; todos os lugares
que, como as ilhas, são agastados pelo mar e pelos ventos.
Não havia neblina nessa noite. Apenas a luz opaca
de um farol atormentando as estrelas. Disseste
quase nada para não ferires um atordoado silêncio
interior. E tocaste-me pela primeira vez os seios
como se disso, para sempre, fosses ter medo.
Abandonaste a praia logo que chegou o primeiro pescador:
a primeira lanterna,
a primeira rede."
(Maria do Rosário Pedreira)
18 junho 2012
"Um mar rodeia o mundo de quem está só..."
” Um mar rodeia o mundo de quem está só. É
o mar sem ondas do fim do mundo. A sua água
é negra; o seu horizonte não existe. Desenho
os contornos desse mar com um lápis de
névoa. Apago, sobre a sua superfície, todos
os pássaros. Vejo-os abrigarem-se da borracha
nas grutas do litoral: as aves assustadas da
solidão. «É um mundo impenetrável», diz
quem está só. Senta-se na margem, olhando
o seu caso. Nada mais existe para além dele, até
esse branco amanhecer que o obriga a lembrar-se
que está vivo. Então, espera que a maré suba,
nesse mar sem marés, para tomar uma decisão. “
o mar sem ondas do fim do mundo. A sua água
é negra; o seu horizonte não existe. Desenho
os contornos desse mar com um lápis de
névoa. Apago, sobre a sua superfície, todos
os pássaros. Vejo-os abrigarem-se da borracha
nas grutas do litoral: as aves assustadas da
solidão. «É um mundo impenetrável», diz
quem está só. Senta-se na margem, olhando
o seu caso. Nada mais existe para além dele, até
esse branco amanhecer que o obriga a lembrar-se
que está vivo. Então, espera que a maré suba,
nesse mar sem marés, para tomar uma decisão. “
(Nuno Júdice)
17 junho 2012
"Viagem..."
na boca da água
me vai trocando entre céu e mar,
o azul de outro azul,
enquanto
na funda transparência
sinto a vertigem
da minha própria origem
e nem sequer já sei
que olhos são os meus
e em que água
se naufraga minha alma
Se chorasse, agora,
o mar inteiro
me entraria pelos olhos"
(Mia Couto)
12 junho 2012
11 junho 2012
Isola d' Elba...
A Ilha de Elba é muito conhecida, nomeadamente pelo facto de Napoleão ter lá vivido 9 meses em exílio, para não sofrer atentados, depois da queda de Paris em 1814.
Eu passei lá uns dias, há duas semanas, num misto de trabalho e passeio, e gostei muito da beleza natural desta pequena ilha...
Subscrever:
Mensagens (Atom)



















