21 maio 2012

Por estes dias...



Por estes dias...recebi a visita do meu irmão. Não tive muito tempo para lhe servir de guia durante a semana, mas sempre que possível, nomeadamente no fim de semana, mostrei-lhe alguns do meus cantinhos nesta cidade, passeamos pelas ruas da cidade, apreciamos a vista - no Piazzale Michelangelo, na companhia do David - e  descobrimos um novo (para mim) e agradável jardim...

E como não poderia deixar de ser, passeamos nos mercados e feiras do fim de semana (Fortezza Antiquario e Mercado Biológico) e houve, ainda, oportunidade de espreitar  a nova exposição de fotografia na Tethys Gallery (La casa dei libri) e uma exposição de simpáticas e minuciosas miniaturas das fachadas de Firenze (Firenze in punta di dito) da autoria de Roberto Menchiari, na & and Company, mais uma simpática loja da minha rua.





"Mercado Biológico..."

"Fortezza Antiquario..."


"Firenze in punta di dito"




14 maio 2012

"Ausência..."



"Quero dizer-te uma coisa simples:
a tua ausência dói-me.
Refiro-me a essa dor que não magoa, que se limita à alma;
mas que não deixa, por isso,
de deixar alguns sinais -
um peso nos olhos, no lugar da tua imagem, e um vazio nas mãos.
Como se as tuas mãos lhes tivessem roubado o tacto.
São estas as formas do amor,
podia dizer-te; e acrescentar que as coisas simples
também podem ser complicadas,
quando nos damos conta da diferença entre
o sonho e a realidade.
Porém, é o sonho que me traz a tua memória;
e a realidade aproxima-me de ti,
agora que os dias correm mais depressa,
e as palavras ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de mim -
e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói."

(Nuno Júdice)

Questo finesettimana...


Casentino...

A chegada da Bianca...

La mamma di Bianca...

Artigianato e Palazzo

Feira de Antiguidades...



13 maio 2012

Apresento-vos a Bianca...



A minha “Principessa” felina e italiana, a minha mais recente adopção! 
Para muitos, uma decisão não muito correcta, mas para mim, uma companhia que já começou a proporcionar adoráveis momentos...
Durante dois anos, pensei muito sobre os prós e contras de adoptar um gato em Florença. Analisei e voltei a analisar  e disse sempre que não podia ser! Este ano, não pensei muito, simplesmente aceitei esta maravilhosa oferta (Grazie Beppe e Alessia!!). E apesar de não ter analisado muito a situação (desta vez!), sei que lhe vou proporcionar tudo a que tem direito e encontrar sempre soluções, para as nossas viagens e para o nosso regresso definitivo a Portugal! 
Até lá, vamos ser muito amigas, aliás já somos, e só estamos juntas há dois dias.

Depois de pensar um pouco e ouvir algumas sugestões interessantes, acabei por dar-lhe o nome de Bianca, pois vivemos na mesma rua em que viveu Bianca Capello, uma personagem da história de Florença, e porque maioritariamente ela é bianca (=branca). Se dúvidas haviam em relação ao seu nome, foram dissipadas, ao abrir um livro e de lá cair um folheto da Academia Bianca Capello...








"Bianca Capello (1547 - 1587) foi uma veneziana de boas famílias que teve de deixar  a sua cidade depois de casar com Piero Buonaventuri, um pequeno banqueiro.
O casal encontrou refúgio em Florença, onde travou conhecimento com o grão-duque Francisco I de Medici (1541 - 1587). Casado contra vontade com Joana de Áustria, este apaixona-se perdidamente pela bela veneziana. O sentimento foi recíproco. Francisco casa com ela após o desaparecimento da sua mulher, mas a nobreza florentina e o cardeal Fernando, irmão do grão-duque, nunca aceitaram a união. Francisco I de Medici e Bianca Capello morreram com um dia de intervalo na Villa di Poggio em Caiano, em Outubro de 1587. A lenda diz que terão sido envenenados pelo cardeal Fernando."

(Nicolas de Crécy e Élodie Lepage in Florença)

08 maio 2012

Veneza...


"Quando, Veneza minha, nos teus telhados
Um esplendoroso Sol brilha,
Deixa-me dizer-te, se a imagem te agrada,
Que me pareces uma rapariga despreocupada

Que me pareces, quando dormes descansada,
Sob os beijos da Lua prateada,
Ao sabor das vagas que te embalam,
A poesia de quem sonha enamorada

Na bruma pareces uma donzela
Que quer fazer mistério do seu encanto
Por detrás do seu melancólico manto

E quando pelo contrário chove; dá dor
Pois tu és uma bela mulher em pranto
Depois de uma briga de amor"

(Eugenio Genero)

07 maio 2012

"The Italian Journey" - Cinqueterre...

Via  dell'Amore

Foi à pouco mais de um ano que realizei um sonho antigo. O sonho de conhecer cinco terras únicas no mundo, conhecidas por Cinqueterre.

Chegámos a Riomaggiore e foi a partir daí que iniciamos o nosso percurso, atravessando a famosa Via dell' Amore, para chegar a Manarola.
Alguns dos caminhos pedestres, do parque, estavam fechados e para visitar as restantes e pitorescas terras, tivemos de recorrer aos comboios.

Um dos pontos altos da nossa viagem, foi o final dessa primeira tarde, em Corniglia, enquanto apreciáva-mos um fantástico e único por do sol sobre o mar, do alto de uma varanda, degustávamos queijos e vinho branco (a paisagem destas cinco terras é dominada por vinhas ordenadas sobre as escarpas). E pela primeira vez, percebi o cliché do "dolce fare niente" que os italianos tanto falam.

Num dos últimos dias, resolvemos fazer uma caminhada até Portovenere, que não pertencendo ao Parco Nazionale delle Cinque Terre, é uma "romântica joía sobre o mar", a ponta ocidental do Golfo di La Spezia. E esta pontinha da Liguria foi para mim uma surpresa, tinha algo de imponente e poético, e foi então que percebi  o encanto de Lord Byron por este local.

Mas o melhor,  o que aconselho a quem quiser conhecer as Cinque Terre, é fazer um passeio de barco entre as terras. Foi o que fizemos no final desse dia, partimos de Portovenere, tendo como destino Monterosso al Mare (que ainda não tínhamos visitado), e fomos apreciando e fotografando o encanto de cada borgo desenhado na escarpa. Ter uma visão externa de cada uma das terras, perceber que parecem pequenos locais encantados retirados de um conto, de uma história, ainda torna a visita mais agradável.

Depois do passeio de barco, finalizámos o nosso dia, naquela que considerámos a mais bonita e encantadora, Vernazza, com uma acolhedora praça junto ao porto, e mais uma vez terminámos o nosso dia a comtemplar o mar e aquele final de tarde.

Este resumo, das memórias desta viagem, já podia estar escrito à mais tempo, mas este é um daqueles locais que perduram na memória, assim como os sabores e aromas lá captados. Como tal, consigo, ao fechar os olhos, reviver muitos dos momentos lá passados...

Quando se fala de Cinqueterre fala-se imediatamente na Via dell' Amore, que na minha opinião é muito sobrevalorizada, reconheço que podemos contemplar admiráveis vistas sobre o mar. Mas, para mim existe  também a "Piazza dell'Amore" (a praça de Vernazza), onde aquele final de tarde foi mágico...


Riomaggiore

Monterosso al Mare

Corniglia

Vernazza

Manarola

03 maio 2012

"Ontem senti-me triste..."


"Ontem senti-me triste - triste e aborrecido; e quando me levantei esta manhã estive quase decidido a deixar Florença. Mas saí para a rua, ao pé do Arno, olhei para um lado e para o outro - para o rio amarelo e para as colinas violetas - , e então decidi ficar - ou melhor, não decidi nada. Fiquei simplesmente ali parado contemplando a beleza de Florença, e antes de ter saciado o olhar já tinha recuperado o bom humor (...)."

(Henry James in "Diário de um homem de 50 anos")

02 maio 2012

"Sobre a ponte eu estava..."

foto de filipe's glance


"Sobre a ponte eu estava,
Há dias, na noite cinzenta
Ao longe ouvi uma canção:
Ela pingava gotas de ouro.
Pela superfície trêmula
Gôndolas, luzes, música -
Ébria ela nadou para a escuridão…
Minha alma, um alaúde,
cantou a si, invisível e ferida,
uma canção veneziana, e segredou,
trêmula de ventura colorida.
Será que alguém a escutou?"

(Friedrich Nietzsche)

Veneza Nocturna...




Como já aqui havia referido, os passeios na Veneza nocturna podem ser muito agradáveis, pois com o cair da noite  a cidade torna-se mais silenciosa, sombria e misteriosa. 
Venezianos e turistas, quase que por magia, desaparecem e deixam as ruas mais apelativas.

Principalmente com o objectivo de fazer algumas experiências fotográficas nocturnas, percorremos, mais uma vez, as labirínticas ruas da sereníssima...E não fossem as noites estarem tão frias, os passeios e descobertas nocturnas teriam sido ainda melhores.

E como não poderia deixar de ser, a mente de alguém que muito leu sobre os mistérios e personagens nocturnas desta cidade, pode imaginar o vislumbre de um vulto na noite, de uma personagem envergando uma máscara e uma capa...E pensar, se será o ambiente mágico desta cidade que gerou todas as histórias e personagens, ou se são essas fictícias personagens que invocam o referido mistério?


(todas as fotos de filipe's glance)