08 março 2013

A "arte passageira" e as Mulheres...


As imagens femininas, as mulheres representadas na “arte passageira”, nas pinturas dos Madonnari...

Gosto de pensar que este Madonnari, em particular, tem uma importante Mulher na sua vida, Mulher que possui uns olhos lindos, nos quais ele se inspira e os reproduz em todos os seus desenhos...

O desenho muda, mas para mim os olhos são sempre os mesmos. Que pensam vocês?






Donne di Firenze...

"Arte passageira" ...ou "Eleonora de Toledo" dos Madonnari

No ano passado quando me ofereceram  a mais linda das gatas italianas ... pensei que seria giro baptizá-la com o nome de uma mulher (italiana) da história de Florença; e comecei uma simples pesquisa com esse objectivo... 
No entanto, não foi fácil encontrar muitas mulheres com relativa importância na história desta cidade.
As poucas que encontrei, pertenciam de alguma forma à família dos Médici. A maioria dos nomes não me agradavam, e então a encantadora gata acabou por receber o nome de Bianca, em homenagem a Bianca Capello, em parte porque também vivíamos na mesma rua onde se encontra o palácio deste membro da família Medici.
Pertenceu  a esta família como segunda mulher do grão-duque Francisco I. Acabou por ficar conhecida por inicialmente ser amante do mesmo e pelas objecções da nobreza fiorentina a esta união. Ambos os membros do casal morreram em Outubro de 1587, com um dia de diferença, consta que terão sido envenenados...

Na imagem, encontra-se a reprodução em “arte passageira” de uma pintura que retrara outra mulher da família Médice, Eleonora de Toledo (sogra de Bianca Capello), duquesa de Florença e Grã-duquesa da Toscana...

E, como aqui referi, outra personagem na história de Florença, foi Beatrice Portinari, que ficou conhecida por ser a musa inspiradora de Dante Alighieri.

Infelizmente são poucas as mulheres na história de Florença!
(mas esta é uma pesquisa que ainda quero aprofundar...)

Caffè Giubbe Rosse...


Na Piazza della Repubblica, podemos beber café (e não só) num agradável espaço histórico, o Caffè Giubbe Rosse, ao qual me costumo referir como o café dos escritores, o café dos artistas...


Com as suas mesas em madeira e as suas paredes forradas de quadros, este belo estabelecimento, inaugurado em 1896, impôs-se como o quartel-general das múltiplas revistas literárias que floresceram em Florença entre 1900 e 1938: Il leonardo, La Voce, Lacerba, Solaria, Campo di Marte. Serviu mesmo, por vezes, de sala de redacção.

Após a primeira guerra mundial, não voltou a ser o mesmo espaço, no entanto os intelectuais, poetas, escritores e pintores continuaram a frequentar o lendário Giubbe Rosse; que deve o sue nome aos coletes vermelhos que os empregados utilizavam no início. Esses coletes foram proibidos no tempo do fascismo e voltaram a ser utilizados após a segunda guerra mundial, no entanto depois deste período o ambiente deste café nunca mais voltou a ser o mesmo, o espírito de criação e revolta antes gerado pelos artistas, não voltou a vestir o colete vermelho e o café não voltou ao seu anterior esplendor... 

Mas, os mitos permanecem vivos!

Todas as quartas à noite, os actuais proprietários tentam recriar o ambiente dos encontros literários de séculos passados e talvez seja esta a altura ideal para nos deixar-mos envolver num clima nostálgico...

Como uma das “101 Cose da fare a Firenze almeno una volta nella vita”, tivemos de ir satisfazer a nossa curiosidade, beber um café e ler os jornais (nacionais e internacionais) que se encontram disponíveis para quem lá passa... mas entrámos lá, principalmente,  para tentar imaginar a atmosfera dos encontros literários...





Fotos de filipe's glance.

07 março 2013

"Ofereço-te Palavras..."


"Se terminar este poema, partirás. Depois da
mordedura vã do meu silêncio e das pedras
que te atirei ao coração, a poesia é a última
coincidência que nos une. Enquanto escrevo
este poema, a mesma neblina que impede a
memória límpida dos sonhos e confunde os
navios ao retalharem um mar desconhecido

está dentro dos meus olhos – porque é difícil
olhar para ti neste preciso instante sabendo que
não estarias aqui se eu não escrevesse. E eu, que

continuo a amar-te em surdina com essa inércia
sóbria das montanhas, ofereço-te palavras, e não
beijos, porque o poema é o único refúgio onde
podemos repetir o lume dos antigos encontros.

Mas agora pedes-me que pare, que fique por aqui,
que apenas escreva até ao fim mais esta página
(que, como as outras, será somente tua – esse

beijo que já não desejas dos meus lábios). E eu, que
aprendi tudo sobre as despedidas porque a saudade
nos faz adultos para sempre, sei que te perderei

em qualquer caso: se terminar o poema, partirás;
e, no entanto, se o interromper, desvanecer-se-á
a última coincidência que nos une."

(Maria do Rosário Pedreira)

06 março 2013

L' aperitivo...



...ou a confraternização entre alunos de uma escola de Italiano.

Quando cheguei a Itália tomei conhecimento desta tradição, que inicialmente era só Milanesa e que passou a fazer também as delicias dos fiorentinos. A partir das 18h, imensos bares propõem uma formula aliciante: por 8 a 10 euros (eu vou por menos!), eis-nos com um copo de vinho (ou outra bebida) na mão e a possibilidade de petiscar à vontade num buffet mais ou menos bem provido. Saladas de massa, mini-pizzas, pasteis em miniatura, etc... e em alguns locais, este aperitivo pode substituir o jantar.

No decorrer da minha nova aprendizagem do italiano, no passado fim de semana fomos a um aperitivo organizado pela nossa escola de italiano, que também se prolongou e substituiu o jantar.

E neste caso acabou por ser um aperitivo bem interessante, pois o facto de ser internacional, além de uma salada e um copo de vinho, também nos alimentámos de cultura ... :-)
O facto de estar em contacto, mais uma vez, com pessoas de diferentes países é muito agradável! E desta vez  não é unicamente num contesto de estudo, pois os nossos colegas, ou melhor, todos os alunos da escola, encontram-se em Florença por variados motivos... E esta multiculturalidade é atractiva, aprendemos costumes, partilhamos ideias, partilhamos curiosidades de cada pais e das respectivas línguas e ficamos igualmente a conhecer como os outros países nos vêem. 
Tentamos falar/entender-nos, neste caso maioritariamente em italiano, ou então vamo-nos ajudando/ensinando uns aos outros...

No aperitivo do fim de semana passado, acabámos por falar (conviver) mais com uma rapariga brasileira e um rapaz espanhol, não sei se pela proximidade das línguas, se por alguma afinidade em particular...

A brasileira, assim que nos conheceu, cumprimentou-nos imediatamente de beijo, algo que não é nada comum por aqui,  percebi logo que só poderia ser portuguesa ou brasileira. Poucos dias antes havíamos comentado, na sala de aula, as formas como nos cumprimentamos nos diferentes países...até estes pequenos pormenores são interessantes. 

Posso dizer que foi um dos aperitivos mais divertidos, a que já fui, contagiada pela boa disposição da C.  (a brasileira) e a ouvir as histórias das suas distracções, dos seus erros com o italiano... o episódio de quando chegou a Itália e não sabia uma única palavra de italiano e teve um problema no aeroporto (esqueceu-se dos documentos no primeiro avião e precisava de ir para outro)... Então, falava com os polícias do aeroporto em português, sem saber que algumas das palavras iguais tem significados diferentes... como por exemplo, dizer que “os meus documentos estão dentro de uma Pasta azul”... – Enquanto ela descrevia algumas das sua peripécias, eu visualizava cenas de filmes  e ria à gargalhada! 

As conversas com o nuestro hermano R., que não fazia ideia que os portugueses se referiam aos espanhóis desta forma, também foram animadas, sempre bem disposto, a brincar e a falar “pelos cotovelos” (mais uma expressão portuguesa que ele aprendeu).

Brevemente vamos ter um jantar com grande parte dos alunos, onde cada um está convidado  a confeccionar um prato do seu país. Nós não vamos fugir ao que os portugueses confeccionam de 1001 maneira possível, vamos fazer um prato de... Bacalhau!


Fiera Antiquaria di Arezzo...


No passado fim de semana, regressámos a Arezzo e mais uma vez no decorrer da Fiera Antiquaria, para mais uma viagem no tempo...








E também fizemos as nossas comprinhas... :-)


Passeios...

Os nossos passeios diários...


05 março 2013

01 março 2013

Finais do dia...


Uma semana que pareceu muito curta, com ideias e trabalhos que ainda não consegui concretizar...
Mais um mês que passou e que ainda pareceu mais pequeno do que realmente foi...

Por aqui, parece que a chuva resolveu dar um pouco de tréguas (o frio ainda não!) e que os finais do dia parecem caminhar para instantes semelhantes a estes, captados pelo Filipe no ano passado...

Nós vamos tentar aproveitar bem, não só os finais, mas os dois dias deste fim de semana. E vocês?

Buon fine settimana a tutti... :-)





Todas as fotos de filipe's glance.

O Nascimento de Vénus, ou melhor, de Botticelli...

"Arte passageira..."  ou  O Nascimento de Vénus dos Madonnari


A 1 de Março de 1445 nascia, aqui em Florença, Sandro Boticelli, um dos meus pintores preferidos, no que se refere ao Renascimento.

Interessante saber que nasceu no mês da Primavera, a mesma estação que ele imortalizou numa das mais fascinantes obras do Renascimento, não fosse esta também a minha preferida...”A Primavera. Desde pequena que sempre achei curioso descobrir coisas que tivessem o meu nome, com esta descoberta fiquei seduzida, mas vê-la em todo o seu esplendor aqui na Galeria Ufizzi ..."É o Sonho de uma Vida!" (RB).

Ao ler alguma informação sobre a vida do artista, descobri que nasceu e passou a sua infância no bairro de Ognissanti, que por coincidência é o bairro onde vivemos actualmente!
Da nossa janela observamos uma torre, que segundo o Filipe é o único símbolo que nos permite dizer 'casa com vista'... Essa torre pertence à Igreja de Ognissanti, onde o corpo do famoso pintor se encontra sepultado (desde 1510) e onde podemos conhecer uma simpática obra do mesmo - Êxtase de Santo Agostinho.

Foi um dos protegidos da família Médici, para  a qual executou preciosos registos de pintura com cunho mitológico, mas esta não foi a única família para quem trabalhou, pois dedicou grande parte da carreira às grandes famílias Fiorentinas. Mas, sem dúvida que foram os Médici que lhe proporcionaram as condições para que produzisse várias das suas obras primas, nomeadamente  Minerva e Centauro, (a referida) Primavera e O Nascimento de Vénus, as duas últimas foram encomendas para a residência destes seus protectores.

Acho que nem consigo imaginar o que é ter, numa residência, obras como estas, obras que nos tiram a respiração...

Como seria/será conviver diariamente com tais obras?

Nos tempos de hoje, se tivesse uma Primavera na minha sala, acho que nunca mais olhava para a televisão ou nem me conseguiria concentrar a ler um livro, ficaria eternamente perdida em todos os pormenores e na imensa quantidade e variedade de flores ali representadas...