15 novembro 2012

Passeios de Outono...

E entre o trabalho, uma caixa e outra e a nostalgia da mudança, vou conseguindo algum tempo para apreciar o Outono nesta cidade...








14 novembro 2012

Mudanças...e a Nostalgia...




Gosto de mudanças, da novidade e de desafios, mas também me consigo apegar sentimentalmente a objectos e locais. E por vezes estes dois aspectos não se conjugam muito bem, particularmente quando temos de mudar de casa.

Por estes dias, encontro-me a guardar em caixas, os objectos e recordações destes últimos (quase) três anos...
E como, infelizmente, ainda  não consigo ser  minimalista, não está a ser uma tarefa fácil, o de arrumar e mudar todas as pequenas coisas que fui acumulando. 
Mas, com calma, muito em breve estará tudo na nova casa...

O que também não está a ser fácil, é a Nostalgia...em cada livro, em cada fotografia ou postal, em cada pequeno pormenor que vou retirando do seu local e colocando numa caixa...vou revivendo cada momento, cada visita que recebi, cada terra e feira que visitei...

Afinal, foram quase três anos, neste pequeno cantinho que aprendi a chamar casa, o espaço que partilhei com familiares, amigos e a pequena Bianca, onde vivi bons momentos e me refugiei nos maus.

Recordo igualmente as peripécias do início até encontrar este espaço, depois o período de adaptação, o caricato senhorio e os enigmáticos vizinhos...

Como aqui referi, é uma casa minúscula, que durante estes anos e apesar dos seus inconvenientes , transformei no meu agradável cantinho. Agora, as suas paredes estão como as encontrei no início, brancas e frias. E por cada caixa que preencho com a história destes anos, tento desapegar-me deste local e começo a sonhar com todas as coisas boas que a nova casa me vai proporcionar.
Existe uma boa razão para esta mudança, mas vou deixar o suspense no ar, deixar essa novidade para mais tarde.

Quem está a adorar todo este processo de caixas pela casa e novos esconderijos é a Bianca...




09 novembro 2012

"Gozo e dor.."



"Se estou contente, querida, 
Com esta imensa ternura 
De que me enche o teu amor? 
- Não. Ai não; falta-me a vida; 
Sucumbe-me a alma à ventura: 
O excesso de gozo é dor. 

Dói-me a alma, sim; e a tristeza 
Vaga, inerte e sem motivo, 
No coração me poisou. 
Absorto em tua beleza, 
Não sei se morro ou se vivo, 
Porque a vida me parou. 

É que não há ser bastante 
Para este gozar sem fim 
Que me inunda o coração. 
Tremo dele, e delirante 
Sinto que se exaure em mim 
Ou a vida - ou a razão." 

(Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas')

07 novembro 2012

"Quando eu sonhava..."




"Quando eu sonhava, era assim 
Que nos meus sonhos a via; 
E era assim que me fugia, 
Apenas eu despertava, 
Essa imagem fugidia 
Que nunca pude alcançar. 
Agora, que estou desperto, 
Agora a vejo fixar... 
Para quê? - Quando era vaga, 
Uma ideia, um pensamento, 
Um raio de estrela incerto 
No imenso firmamento, 
Uma quimera, um vão sonho, 
Eu sonhava - mas vivia: 
Prazer não sabia o que era, 
Mas dor, não na conhecia ... "

(Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas')

"Canção da minha Tristeza..."


"Meu coração não está nas largas avenidas 
nem repousa à tarde, para lá do rio. 
Nada acontece. Nada. Nem, ao menos, tu 
virás despentear os meus cabelos. 

Nem, ao menos, tu, neste tempo de angústia 
vens dizer o meu nome ou cobrir-me de beijos. 
Ah, meu coração não está nas largas avenidas 
nem repousa à tarde, para lá do rio. 

A cidade enlouquece os meus olhos de pássaro. 
Eu recuso as palavras. Sei o nome da chuva. 
Quero amar-te, sim. Mas tu hoje não voltas. 
Tu não virás, nunca mais, ó minha amiga. 

Nada acontece. Nada. E eu procuro-te 
por dentro da noite, com mãos de surpresa. 
Meu coração não está nas largas avenidas 
nem repousa à tarde, para lá do rio. 

E tu, longe, longe. Onde estás meu amor, 
que não vens despentear os meus cabelos? 
Eu quero amar-te. Mas tu hoje não voltas. 
Tu não virás, nunca mais, ó minha amiga. "

(Joaquim Pessoa)