23 outubro 2012
O "meu" jardim...
"Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas,
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.
Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direcções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.
Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz. "
(António Ramos Rosa)
22 outubro 2012
"Somos as pontas de uma mesma fita..."
"Somos as pontas de uma mesma fita
e acordamos atados de manhã num
nó que ainda demora a desfazer. Ao
levantar-me, arrasto-te comigo, mas
no resto da vida é ao contrário - e eu
nem me importo que me leves atrás
se o laço for contigo, e apertado. Mas,
quando calha, é mais comprida a fita; e
eu - inquiéta, sem saber onde estás - fico
a contar os metros, aflita, e a magicar em
franzido se embaraços. Eis se não quando
tu pareces amarrotado de cansaço e nos
meus braços logo te desfias. Vencido
o susto, passa-se a fita a ferro - para
se enredar de novo num nó cego que
de manhã vai ser um custo desatar."
(Maria do Rosário Pedreira)
21 outubro 2012
"Outono do Amor que folhas moves..."
"Outono do amor que folhas moves
na direcção dos corpos separados
e molhas desses prantos ignorados
de quem da primavera conheceu o
de quem da primavera conheceu o
movimento das aves
e desse movimento estas esperas
agora só conhece já e ouve
a própria descida com as folhas
a voz própria cansada
quando a vida
e a voz lhas está a dor tirando
Outono do amor outono de aves
e de vozes caladas e de folhas
molhadas de temor e surdo pranto"
(Gastão
Cruz)
20 outubro 2012
"Vamos ser velhos..."
"Vamos ser velhos ao sol nos degraus
da casa; abrir a porta empenada de
tantos invernos e ver o frio soçobrar
no carvão das ruas; espreitar a horta
que o vizinho anda a tricotar e o vento
lhe desmancha de pirraça; deixar a
chaleira negra em redor do fogão para
um chá que nunca sabemos quando
será - porque a vida dos velhos é curta,
mas imensa; dizer as mesmas coisas
muitas vezes - por sermos velhos e por
serem verdade. Eu não quero ser velha
sozinha, mesmo ao sol, nem quero que
sejas velho com mais ninguém. Vamos
ser velhos juntos nos degraus da casa -
se a chaleira apitar, sossega, vou lá eu; não
atravesses a rua por uma sombra amiga,
trago-te o chá e um chapéu quando voltar."
(Maria do Rosário Pedreira)
19 outubro 2012
18 outubro 2012
Passeios de Outono...
Como já aqui referi, todas as estações do ano tem o seu encanto, todas possuem alguns aspectos particulares que me agradam, mas sem dúvida que a minha preferida é o Outono.
Gosto quando chega esta altura do ano, quando os finais do dia tem uma cor e um brilho diferente, o vento fica mais forte, caiem as primeiras chuvas...
E por estes dias, tenho tentado aproveitar esses finais de dia, passear um pouco pela cidade, pelos seus jardins, apreciando alguns pormenores, sentindo o vento que ainda não é desagradável, descontraindo um pouco e aproveitando também para organizar pensamentos...
Preciso destes meus momentos...
17 outubro 2012
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