14 junho 2012

Bianca...


E já passou um mês desde que a Bianca, chegou a minha casa...E posso dizer que durante este mês, todos os momentos passaram a ser diferentes, pois acompanha-me em tudo, dorme no meu ombro enquanto trabalho ao computador, mordisca o meu nariz antes de dormir e puxa-me os cabelos as 6 da manhã (que despertador personalizado!)...e estes são só alguns exemplos.

Mas o melhor de tudo é chegar a casa e ter esta brincalhona à minha espera, que fica feliz com a minha chegada e que me coloca bem disposta. Ontem, o dia não foi muito agradável, mas ao final do dia as suas brincadeiras e "miminhos" melhoraram o meu dia e ainda permitiu estas fotos...






13 junho 2012

O Regresso à Cidade Eterna...




Como aqui havia referido, há dois anos, passei algumas horas em Roma (apenas de passagem), e nessas poucas horas, mostrei um pouco desta cidade ao Filipe (filipe's glance), para aguçar a sua curiosidade...E nesse mesmo dia, prometemos regressar, para apreciar com mais atenção cada pormenor, escutar o chamamento da água de cada fonte, sentir o aroma de cada ruela...e assimilar séculos de história.

No passado fim de semana, conseguimos cumprir as nossas promessas, encontrámo-nos em Roma, para uma viagem no tempo um pouco mais alargada. E, mais uma vez, iniciámos a nossa viagem no Colosseo, dedicando algum tempo a toda a área arqueológica.
A segunda parte da nossa viagem, foi do outro lado do rio Tevere, com uma visita ao Vaticano e aos seus Museus.
O restante tempo, foi a passear pelas ruas da cidade, pois em cada canto há sempre um aliciante pormenor, não deixando de passar pela Fontana di Trevi, a Piazza di Spagna, o Castelo Sant'Angelo, o Panteao...

Finalizávamos os nossos dias, numa explanada, na movimentada Piazza Navona, que continuo a considerar uma das mais belas praças, sempre cheia de vida, de artistas, de sons...

E como não poderia deixar de ser, regressámos ao nosso restaurante, ao nosso "cantinho" em Roma, a Enoteca Cul de Sac, para voltar a degustar os melhores Raviole algumas vez confeccionados e para voltar a fazer planos, sonhar com novas viagens, e quem sabe um dia voltar a percorrer as agradáveis ruas da cidade Eterna.









12 junho 2012

"Americani a Firenze..."


Sempre que possível, gosto de conhecer as exposições temporárias da Fondazione Palazzo Strozzi, onde recentemente visitei a exposição “Americani a Firenze – Sargent e gli Impressionisti del Nuovo Mondo”.

Esta exposição ilustra as múltiplas e fecundas relações que os pintores do Novo Continente instauraram – desde a segunda metade do século XIX até à 1ª guerra mundial – com Florença e outras cidades da Toscana.
Nas seis sessões da exposição encontram-se representados mais de 30 artistas americanos que trabalharam em Florença, na  referida época. Alguns muito  conhecidos como John Singer Sargent, e outros  menos conhecidos, inclusive apresentados pela primeira vez em Itália.
Mas, todos partilham a curiosidade, de uma vez tornados às suas terras, após a inspiradora estadia em Itália, se terem tornado celebres artistas, fundamentais na formação da nova geração de pintores americanos e pelo nascimento de uma pintura nacional.
Podemos encontrar, igualmente, na exposição, alguns pintores florentinos e toscanos que se aproximaram à maneira sofisticada e rica de sugestões literárias, obtidas da cosmopolita colónia presente em Florença na época.


Vittorio Coreos - In lettura  sul mare


John S. Sargent - A Torre Galli: signore in giardino


Frank W. Benson - Estate


Willard L. Metcalf - Pelago in Toscana

William M. Chase - L' Orangerie

Isola d' Elba e la Natura...









11 junho 2012

Isola d' Elba...



A Ilha de Elba é muito conhecida, nomeadamente pelo facto de Napoleão ter lá vivido 9 meses em exílio, para não sofrer atentados, depois da queda de Paris em 1814.

Eu passei lá uns dias, há duas semanas, num misto de trabalho e passeio, e gostei muito da beleza natural desta pequena ilha...








05 junho 2012

Last weekend...


O que eu gosto de um fim de semana bem aproveitado, recheado de actividades...

Depois de algum tempo fora de casa (passei alguns dias na Isola d'Elba, num misto de trabalho e passeio...), o fim de semana deu para repousar e colocar algumas coisas em ordem.
Mas, como é impossível estar nesta cidade, sem espreitar o que a mesma tem para nos oferecer e porque eu não consigo passar um fim de semana, sem dar longos passeios pela cidade, assim como espreitar as feiras e mercados - No domingo fui até à Fierucola delle Arti e dei Mestieri, ainda para mais quando se trata de uma feira de Artesanato!

E claro que passear nesta cidade, nomeadamente junto ao rio Arno, ao final do dia, proporciona-nos sempre agradáveis momentos, com novas e diferentes tonalidades...

No domingo, ainda houve tempo para ir ao cinema, para ver "Extremely Loud & Incredibly Closer",  e tomar conhecimento que nesse mesmo cinema, o Odeon (o cinema dos estrangeiros, como lhe costumo chamar!), o serão seria bastante agradável. Jane Goodal, estaria lá a apresentar um filme e a falar-nos um pouco da história da sua vida que se cruza com a história do seu trabalho. E foi assim, a ouvir esta Senhora, que terminei o meu fim de semana...










27 maio 2012

Fragmentos de um fim de semana...




"Arte passageira..."

Firenze Gelato Festival


Depois de um sábado, muito cinzento, caseiro e pouco produtivo...

Hoje, consegui dar um passeio pela cidade, que me faz tanta falta, não precisa ser um grande passeio, uma pequena volta pelo centro ou num jardim, a apreciar e fotografar alguns pormenores, e eu já fico mais animada.
Iniciei o passeio de hoje, a beber um bello cappuccino, num agradável café na Piazza della Passera e terminei a observar o caótico movimento associado ao último dia do Firenze Gelato Festival, onde fui descobrir a representação de Portugal, com uma gelataria de Tavira.

Claro que todo o meu fim de semana foi repleto de miminhos e brincadeiras com a Bianca...

"Variação sobre rosas..."


” Como as rosas selvagens, que nascem
em qualquer canto, o amor também pode nascer
de onde menos esperamos. O seu campo
é infinito: alma e corpo. E, para além deles,
o mundo das sensações, onde se entra sem
bater à porta, como se esta porta estivesse sempre
aberta para quem quiser entrar.

Tu, que me ensinas o que é o
amor, colheste essas rosas selvagens: a sua
púrpura brilha no teu rosto. O seu perfume
corre-te pelo peito, derrama-se no estuário
do ventre, sobe até aos cabelos que se soltam
por entre a brisa dos murmúrios. Roubo aos teus
lábios as suas pétalas.

E se essas rosas não murcham, com
o tempo, é porque o amor as alimenta. “

(Nuno Júdice)

23 maio 2012

"A Divina Comédia..."




 " (...) Quando Dante tinha nove anos de idade viu um dia na rua uma rapariguinha, tão jovem como ele, e que se chamava Beatriz. Beatriz era a criança mais bela de Florença: os seus olhos eram verdes e brilhantes, o seu pescoço alto e fino, os seus cabelos leves e loiros, trémulos sob a brisa. E caminhava com ar tão puro, tão grave e tão honesto que lembrava as madonas que estão pintadas nas nossas igrejas. Dante amou-a desde essa idade e desde esse primeiro encontro. Mas passados anos, em plena juventude, Beatriz morreu. Essa morte foi o tormento de Dante. Então, para esquecer o seu desgosto, começou uma vida de loucuras e erros. Até que um dia, numa Sexta-Feira Santa, a 8 de Abril do ano de 1300, se encontrou perdido no meio de uma floresta escura e selvagem. Aí lhe apareceram um leopardo, um leão e uma loba. Dante olhou então à roda de si e viu passar uma sombra. Ele chamou-a em seu auxílio e a sombra disse-lhe:
 - "Sou a sombra de Virgílio, o poeta morto há mais de mil anos, e venho da parte de Beatriz para te guiar até ao lugar onde ela te espera."
 Dante seguiu Virgílio. Primeiro passaram sob a porta do Inferno onde está escrito: "Vós que entrais deixai toda a esperança".
 Depois atravessaram os nove círculos onde estão os condenados. Viram aqueles que estão cobertos por chuvas e lama, viram os que são eternamente arrastados em tempestades e vento, viram os que moram dentro do fogo e viram os traidores presos em lagos de gelo. Por toda a parte se erguiam monstros e demónios, e Dante agarrava-se a Virgílio tremendo de terror. E por toda a parte reinava a escuridão como numa mina. Pois era ali um reino subterrâneo, sem sol, sem lua e sem estrelas, iluminado apenas pelas chamas infernais.

Depois de terem percorrido todos os abismos do Inferno voltaram à luz do sol e chegaram ao Purgatório, que é um monte num meio duma ilha subindo para o céu. Aí Dante e Vergílio viram as almas que através de penitências e preces vão a caminho do Paraíso. Neste lugar já não se viam demónios, mas em cada nova estrada surgiam anjos brilhantes como estrelas. 
Até que chagaram ao Paraíso Terrestre, que fica no cimo do monte do Purgatório. Aí, entre relvas, bosques, fontes e flores, Dante tornou a ver Beatriz. Trazia na cabeça um véu branco cingido de oliveira: os seus ombros estavam cobertos por um manto verde e o seu vestido era da cor da chama viva. Vinha num carro puxado por um estranho animal metade leão e metade pássaro.

 - Dante – disse ela -, mandei-te chamar para te curar dos teus erros e pecados. Já viste o que sofrem as almas do Inferno e já viste as grandes penitências daqueles que estão no Purgatório. Agora vou-te levar comigo ao Céu para que vejas a felicidade e a alegria dos bons e dos justos.
Guiado por Beatriz, o poeta atravessou os nove círculos do Céu. Caminharam entre estrelas e planetas rodeados de anjos e de cânticos. E viram as almas dos justos cheias de glória e de alegria. Quando chegaram ao décimo Céu Beatriz despediu-se do seu amigo e disse-lhe:
- Volta à terra e escreve num livro todas estas coisas que viste. Assim ensinarás os homens a detestarem o mal e a desejarem o bem.

Dante voltou a este mundo e cumpriu a vontade de Beatriz. Escreveu um longo e maravilhoso poema chamado "A Divina Comédia", no qual contou a sua viagem através do reino dos mortos.
A notícia desta viagem causou grande espanto em Florença. Quando Dante passava na rua todos se viravam para o ver, pois diziam que ele ainda tinha a barba "chamuscada pelo fogo do Inferno que tinha atravessado".
                
- É verdadeiramente a história mais extraordinária que ouvi em toda a minha vida – disse o Cavaleiro -. Compreendo que Dante tenha sido recebido com grande espanto e curiosidade. E, mais ainda, julgo que daí em diante deve ter sido um homem de grande autoridade respeitado e escutado por todos os seus concidadãos.
 - De facto – disse Filippo – devia ter sido assim, mas não foi assim que aconteceu. Quando, depois de ter atravessado os três países da morte, o poeta voltou a Florença e encontrou a cidade apaixonada por grandes lutas políticas. Havia nesse tempo dois partidos que dividiam a Itália: o partido dos Guelfos e o partido dos Gibelinos. Dante era gibelino, e aconteceu que nesse ano de 1300 ele foi eleito para o governo da cidade. Mas tempos depois o seu partido foi vencido e o poeta exilado. Mais tarde os seus inimigos também o condenaram a ser queimado vivo. Felizmente nessa altura ele já estava longe de Florença, e assim escapou à morte e ao suplício. Mas nunca mais pode voltar à sua cidade natal e viveu até ao fim da sua vida vagueando como refugiado político pelas outras cidades italianas. E foi neste exílio, separado de Beatriz pela morte e de Florença pela injustiça dos homens, que Dante escreveu a "Divina Comédia"  (...)"

(Sophia de Mello Breyner Andresen in O cavaleiro da Dinamarca)