15 maio 2012
14 maio 2012
"Ausência..."
"Quero dizer-te uma coisa simples:
a tua ausência dói-me.
Refiro-me a essa dor que não magoa, que se limita à alma;
mas que não deixa, por isso,
de deixar alguns sinais -
um peso nos olhos, no lugar da tua imagem, e um vazio nas mãos.
Como se as tuas mãos lhes tivessem roubado o tacto.
São estas as formas do amor,
podia dizer-te; e acrescentar que as coisas simples
também podem ser complicadas,
quando nos damos conta da diferença entre
o sonho e a realidade.
Porém, é o sonho que me traz a tua memória;
e a realidade aproxima-me de ti,
agora que os dias correm mais depressa,
e as palavras ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de mim -
e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói."
(Nuno Júdice)
Questo finesettimana...
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| Casentino... |
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| A chegada da Bianca... |
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| La mamma di Bianca... |
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| Artigianato e Palazzo |
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| Feira de Antiguidades... |
13 maio 2012
Apresento-vos a Bianca...
A minha
“Principessa” felina e italiana, a minha mais recente adopção!
Para muitos, uma
decisão não muito correcta, mas para mim, uma companhia que já começou a
proporcionar adoráveis momentos...
Durante dois
anos, pensei muito sobre os prós e contras de adoptar um gato em Florença.
Analisei e voltei a analisar e disse sempre que não podia ser! Este
ano, não pensei muito, simplesmente aceitei esta maravilhosa oferta (Grazie
Beppe e Alessia!!). E apesar de não ter analisado muito a situação (desta vez!),
sei que lhe vou proporcionar tudo a que tem direito e encontrar sempre
soluções, para as nossas viagens e para o nosso regresso definitivo a Portugal!
Até lá, vamos ser muito amigas, aliás já somos, e só estamos juntas há dois
dias.
Depois de pensar
um pouco e ouvir algumas sugestões interessantes, acabei por dar-lhe o nome de
Bianca, pois vivemos na mesma
rua em que viveu Bianca Capello, uma personagem da história de Florença, e porque
maioritariamente ela é bianca (=branca). Se dúvidas haviam em relação ao seu
nome, foram dissipadas, ao abrir um livro e de lá cair um folheto da Academia
Bianca Capello...
"Bianca Capello (1547 - 1587) foi uma veneziana de boas famílias que teve de deixar a sua cidade depois de casar com Piero Buonaventuri, um pequeno banqueiro.
O casal encontrou refúgio em Florença, onde travou conhecimento com o grão-duque Francisco I de Medici (1541 - 1587). Casado contra vontade com Joana de Áustria, este apaixona-se perdidamente pela bela veneziana. O sentimento foi recíproco. Francisco casa com ela após o desaparecimento da sua mulher, mas a nobreza florentina e o cardeal Fernando, irmão do grão-duque, nunca aceitaram a união. Francisco I de Medici e Bianca Capello morreram com um dia de intervalo na Villa di Poggio em Caiano, em Outubro de 1587. A lenda diz que terão sido envenenados pelo cardeal Fernando."
(Nicolas de Crécy e Élodie Lepage in Florença)
08 maio 2012
Veneza...
"Quando, Veneza minha, nos teus telhados
Um esplendoroso Sol brilha,
Deixa-me dizer-te, se a imagem te agrada,
Que me pareces uma rapariga despreocupada
Que me pareces, quando dormes descansada,
Sob os beijos da Lua prateada,
Ao sabor das vagas que te embalam,
A poesia de quem sonha enamorada
Na bruma pareces uma donzela
Que quer fazer mistério do seu encanto
Por detrás do seu melancólico manto
E quando pelo contrário chove; dá dor
Pois tu és uma bela mulher em pranto
Depois de uma briga de amor"
(Eugenio Genero)
07 maio 2012
"The Italian Journey" - Cinqueterre...
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| Via dell'Amore |
Foi à pouco mais de um ano que realizei um sonho antigo. O sonho de conhecer cinco terras únicas no mundo, conhecidas por Cinqueterre.
Chegámos a Riomaggiore e foi a partir daí que iniciamos o nosso percurso, atravessando a famosa Via dell' Amore, para chegar a Manarola.
Alguns dos caminhos pedestres, do parque, estavam fechados e para visitar as restantes e pitorescas terras, tivemos de recorrer aos comboios.
Um dos pontos altos da nossa viagem, foi o final dessa primeira tarde, em Corniglia, enquanto apreciáva-mos um fantástico e único por do sol sobre o mar, do alto de uma varanda, degustávamos queijos e vinho branco (a paisagem destas cinco terras é dominada por vinhas ordenadas sobre as escarpas). E pela primeira vez, percebi o cliché do "dolce fare niente" que os italianos tanto falam.
Num dos últimos dias, resolvemos fazer uma caminhada até Portovenere, que não pertencendo ao Parco Nazionale delle Cinque Terre, é uma "romântica joía sobre o mar", a ponta ocidental do Golfo di La Spezia. E esta pontinha da Liguria foi para mim uma surpresa, tinha algo de imponente e poético, e foi então que percebi o encanto de Lord Byron por este local.
Mas o melhor, o que aconselho a quem quiser conhecer as Cinque Terre, é fazer um passeio de barco entre as terras. Foi o que fizemos no final desse dia, partimos de Portovenere, tendo como destino Monterosso al Mare (que ainda não tínhamos visitado), e fomos apreciando e fotografando o encanto de cada borgo desenhado na escarpa. Ter uma visão externa de cada uma das terras, perceber que parecem pequenos locais encantados retirados de um conto, de uma história, ainda torna a visita mais agradável.
Depois do passeio de barco, finalizámos o nosso dia, naquela que considerámos a mais bonita e encantadora, Vernazza, com uma acolhedora praça junto ao porto, e mais uma vez terminámos o nosso dia a comtemplar o mar e aquele final de tarde.
Este resumo, das memórias desta viagem, já podia estar escrito à mais tempo, mas este é um daqueles locais que perduram na memória, assim como os sabores e aromas lá captados. Como tal, consigo, ao fechar os olhos, reviver muitos dos momentos lá passados...
Quando se fala de Cinqueterre fala-se imediatamente na Via dell' Amore, que na minha opinião é muito sobrevalorizada, reconheço que podemos contemplar admiráveis vistas sobre o mar. Mas, para mim existe também a "Piazza dell'Amore" (a praça de Vernazza), onde aquele final de tarde foi mágico...
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| Riomaggiore |
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| Monterosso al Mare |
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| Corniglia |
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| Vernazza |
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| Manarola |
03 maio 2012
"Ontem senti-me triste..."
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foto de filipe's glance
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"Ontem senti-me triste - triste e aborrecido; e quando me levantei esta manhã estive quase decidido a deixar Florença. Mas saí para a rua, ao pé do Arno, olhei para um lado e para o outro - para o rio amarelo e para as colinas violetas - , e então decidi ficar - ou melhor, não decidi nada. Fiquei simplesmente ali parado contemplando a beleza de Florença, e antes de ter saciado o olhar já tinha recuperado o bom humor (...)."
(Henry James in "Diário de um homem de 50 anos")
02 maio 2012
"Sobre a ponte eu estava..."
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| foto de filipe's glance |
"Sobre a ponte eu estava,
Há dias, na noite cinzenta
Ao longe ouvi uma canção:
Ela pingava gotas de ouro.
Pela superfície trêmula
Gôndolas, luzes, música -
Ébria ela nadou para a escuridão…
Minha alma, um alaúde,
cantou a si, invisível e ferida,
uma canção veneziana, e segredou,
trêmula de ventura colorida.
Será que alguém a escutou?"
(Friedrich Nietzsche)
Veneza Nocturna...
Como já aqui havia referido, os passeios na Veneza nocturna podem ser muito agradáveis, pois com o cair da noite a cidade torna-se mais silenciosa, sombria e misteriosa.
Venezianos e turistas, quase que por magia, desaparecem e deixam as ruas mais
apelativas.
Principalmente com o objectivo de fazer algumas experiências
fotográficas nocturnas, percorremos, mais uma vez, as labirínticas ruas da
sereníssima...E não fossem as noites estarem tão frias, os passeios e
descobertas nocturnas teriam sido ainda melhores.
E como não poderia deixar de ser, a mente de alguém que muito leu
sobre os mistérios e personagens nocturnas desta cidade, pode imaginar o
vislumbre de um vulto na noite, de uma personagem envergando uma máscara e uma
capa...E pensar, se será o ambiente mágico desta cidade que gerou todas as
histórias e personagens, ou se são essas fictícias personagens que invocam o referido
mistério?
(todas as fotos de filipe's glance)
(todas as fotos de filipe's glance)
26 abril 2012
"The Italian Journey" - Veneza...
Finalmente Veneza, era o que eu pensava há uns dias atrás, enquanto
preparava a viagem a esta única e “Sereníssima” cidade, isto porque desde
sempre, foi uma cidade que fez parte do meu imaginário e fazia igualmente parte
da lista de locais a visitar... E foi então, com muita curiosidade, que partimos para Veneza.
A chegada foi como eu previa, uma multidão impressionante - na estação, junto aos locais de
informação e nos locais para apanhar os vaporetti
- o que me fez pensar “Será que isto vai ser sempre assim?”...
No primeiro dia, limitámo-nos a deambular, até chegar às zonas
mais movimentadas, às atracções principais, a Piazza San Marco, o coração da cidade e que exalta todo o seu
esplendor, e a agitada Ponte di Rialto
(ponto de contemplação do Grande Canal), parando em cada ponte, apreciando cada
gôndola que passava, fotografando cada pormenor.
E mais uma vez, sentimos a impressionante nuvem de pessoas, que se
concentrava nestas zonas centrais e consideradas mais atractivas, o que não me
agradou particularmente. Mas, apesar da má disposição instalada (devido à
multidão – Não, eu não queria Veneza só para mim!), lá consegui ir admirando
pequenos pormenores em cada edifício, em cada ruela, em cada praça (Campo – designação veneziana para todas
as praças, excepto a de San Marco),
em cada canal...E a cada passo deste nosso primeiro giro, constatar que Veneza, é um autêntico labirinto de ruas e
ruelas estreitas (Calle e Colleta), além dos labirintos de água,
os famosos canais...
No caminho inverso ao final do dia, ou seja, no caminho de
regresso ao Hotel (mais propriamente um Bed
& Breakfeast no sestiero
Castello) e na busca de um local para jantar, fomos constatando que a cidade
com o aproximar da noite, se ia transformando, não só numa cidade pouco
iluminada, o que a torna de alguma
forma ainda mais misteriosa, mas também numa cidade quase deserta, com as lojas
e monumentos fechados, as centenas de turistas, que durante o dia, povoam ruas,
praças e gôndolas, à noite simplesmente desaparecem.
Devo dizer, estava uma noite fria, mas apesar disso, Veneza passou
a ter outro encanto, mais silenciosa e harmoniosa...
No segundo dia e munidos de um bom mapa, para melhor perceber “a
cidade labirinto”, organizámos o nosso dia com o objectivo de conhecer um pouco
do sestiero Castello, onde estávamos
instalados, assim como o que se encontra mais próximo, Cannaregio. Veneza é
dividida em seis sestieri ou bairros,
os antigos distritos administrativos. Podemos, igualmente, encontrar estes seis sestieri, representados simbolicamente, no ferro das gôndolas.
Mas, também convêm salientar, que nem com mapa, é muito fácil a orientação
por “ruas e ruelas”...No entanto, se nos perdermos, basta seguir as placas
amarelas que indicam as atracções principais (Rialto e San Marco), pois
todos os caminhos vão lá dar...
(O mais desagradável é quando nos perdemos em
busca do próprio hotel!)
Neste segundo dia, queríamos então conhecer estes sestieri, menos atractivos aos turistas,
mas com uma personalidade única, aos quais pretendíamos dedicar alguma atenção.
Sestieri mais genuínos, como sugeriam
os livros, nos quais podemos observar edifícios com fachadas mais simples, até
mais degradas. Onde podemos encontrar roupa estendida de um lado ao outro do
canal, e ainda o vendedor de legumes e frutas, que passa de canal em canal, tal
como em algumas terras do meu Alentejo, sendo que a única diferença é o meio de
transporte.
Ao visitar Cannaregio, pretendíamos
igualmente conhecer o Ghetto, o mais
antigo de toda a Europa. Onde conseguimos encontrar alguns símbolos e marcas de
outros tempos...Assim como, provar deliciosos doces hebraicos.
Caminhando, mais uma vez, por entre as labirínticas ruas, ficámos
com uma boa ideia destes autênticos sestieri
e passamos para Santa Croce e San Polo, onde começámos a encontrar aprazíveis
lojas/ateliers de máscaras. E, onde dois adultos que experimentavam máscaras, sonhavam
e imaginavam as festas e bailes de
outras épocas.
Sempre apreciando cada pormenor de cada espaço percorrido,
facilmente chegámos a Dorsoduro. Como podem ver, esta é uma
cidade que se visita muito facilmente a pé, sim, apesar de toda a água, é
possível a descoberta da sereníssima, sem recorrer aos usuais meios de
transporte. Claro que também recorremos aos vaporetti,
mas percorremos a cidade maioritariamente
a pé.
Dorsoduro foi, a região que mais me atraiu, calma, simples,
silenciosa e com uma “composição habitacional” um pouco mais ordenada. Até a
água dos canais possuía outra cor.
E foi aqui, que acidentalmente, descobrimos uma exposição de
fotografia “Through my Window” (fotografia
de Ahae), que se encontrava publicitada por toda a cidade, e que havíamos já pensado visitar. Aqui, no espaço
que anteriormente serviu para guardar barcos e mercadorias (zona Zattere), e que actualmente recebe
mostras de arte, terminámos o nosso segundo dia nesta encantadora e idealista
cidade.
No dia (o terceiro) que havíamos pensado regressar à parte movimentada
da cidade, para subir ao Campanile,
para contemplar uma maravilhosa vista e apreciar o conjunto de ilhas que
circundam Veneza, assim como passear entre canais, transportados por um
gondoleiro e as suas histórias. Foi o dia que São Pedro, resolveu mostrar como
é Veneza quando chove, quando chove e muito. Sendo possível observar, igualmente,
o nível dos canais a subir e descobrir uma Veneza cinzenta, fria e um pouco
desagradável...
Não conseguimos fazer o que havíamos planeado, mas continuamos a
passear, ainda que debaixo de chuva. O que nos levou a passar mais tempo a
visitar ateliers e a apreciar a arte de fabricar máscaras. Ainda para fugir um
pouco à chuva passámos algum tempo no Devil´s
Forest Pub, a degustar uma típica bebida veneziana - o Bellini, a falar de detalhes da nossa viagem, da cidade, da comida
(que é horrível!), da impossibilidade (na minha opinião) de viver numa cidade
como esta. Sim, uma encantadora e fantástica cidade, que nos faz viajar no
tempo e sonhar, mas que é apenas para admirar e passear por uns dias...
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