30 março 2012

Cinema...


Gosto muito de cinema, e particularmente de ver os filmes, exactamente, no Cinema!
Nestes últimos tempos, parece-me que tenho passado algum tempo nas salas de cinema desta cidade...

E depois, o que me acontece com frequência, é simplesmente passear pela cidade e visualizar cenas de filmes, não só daqueles que foram aqui registados, mas outros... Ou então, visualizar pormenores que perfeitamente poderiam fazer parte de um filme. Claro que não tenho essa pretenção, mas são pequenos pormenores ou episódios, que me fazem visualizar a cena do filme, parar, imaginar e sorrir...

Ontem, ao passar na Ponte vecchio (mais uma vez...), um artista de rua, tocava e cantava "Ain't No Sunshine", e nós todos que passávamos de um lado para o outro, e eu lembrei-me de uma cena parecida de "Nottig Hill", ao som desta mesma música.

Muitas vezes não basta visualizar ou imaginar a cena, tenho logo uma música que a acompanha... 


(Nota mental: rever alguns dos filmes registados em Florença e na Toscana!)

29 março 2012

Dias cinzentos...


" (...) Estou hoje num dos meus dias cinzentos, como diz nosso escritor; dia em que tudo é baço e pesado como a cinza, dia em que tudo tem a cor uniforme e nevoente dele, desse cinza em que eu às vezes sinto afundar o meu destino. (...)"


(Florbela Espanca)

28 março 2012

"Fantasmas..."


"Os fantasmas têm mil cores e mil defeitos
Os fantasmas têm mil terrores e alimentam-se de cada medo
Os fantasmas roubam o presente e envenenam o futuro
Os fantasmas de tanto amar
São gárgulas 
São monstros
Que apertam o coração
Que tiram o oxigénio
Que sugam o açúcar e tolhem o andar
Os fantasmas de tanto amar
E não saber falar
Apertam os sonhos e reduzem a pó tudo
Não sobra nada.
Só terror.
Só amor.
Só dor.
Só. Solidão.
Só pó.
Só.
Os fantasmas morrem com a fé que sai da tua respiração e entra no meu coração."



(Marta Mondragão)

"Dinosauri in Carne e Ossa..."



No passado fim de semana, voltei ao Orto Botanico di Firenze (Giardino dei Semplice). Gosto de passear neste jardim, pelo menos uma vez em cada uma das estações, e particularmente no início da Primavera, para admirar e fotografar algumas das novas flores...

Sempre que por ali passeio, há muito silêncio e normalmente sou apenas eu e o jardim. Mas desta vez, foi completamente diferente, o jardim estava cheio de crianças a correr e a brincar. E como podem imaginar, onde crianças brincam, além de muito movimento, há imensos sons... O que tornou o passeio ainda mais agradável.

E tanta criança neste espaço, deve-se ao facto de aqui se encontrar uma parte, muito atractiva, da  exposição..."Dinosauri in Carne e Ossa"

Assim, enquanto deambulamos por entre a vegetação do Orto Botanico, podemos descobrir criaturas pré-históricas, ou melhor, artísticas reconstruções à escala real destas criaturas, e conhece-las de uma forma diferente e fascinante, especialmente para os mais novos. Estes modelos foram realizados por uma equipa multi-disciplinar (ilustradores, escultores, artesãos, especialistas em modelação e efeitos especiais...) guiada por Paleontólogos, que com muita criatividade e versatilidade apresentam-nos e contam um pouco da história destes pré-históricos seres.

Aproveitei igualmente para conhecer estes modelos de Dinossauros, alguns muito bem conseguidos...Fica a faltar o resto da exposição, que se encontra no Museu di Storia Naturale di Firenze – Paleontologia.

Mas, mais do que os modelos, o que me fez apreciar a exposição e sorrir imenso, foi o entusiasmo das crianças com estas pré-históricas e enormes criaturas, que eles podiam tocar ...
Perfeito era ter passeado por esta mesma exposição, a ouvir as gargalhadas e a sentir o entusiasmo de uma outra criança. Adorava poder ter partilhado este momento com o D. Como tal não foi possível, ao menos vou poder partilhar com ele algumas fotos e novas histórias destes seres do passado, que ele tanto gosta...




27 março 2012

Primavera nella Specola...



E quando a Primavera chega ao jardim da Specola, estas são algumas das suas cores...

Mas, mais do que cores, é o ambiente deste pequeno e acolhedor jardim, que se transforma. Nesta época, e porque se está aqui muito bem, voltamos a almoçar ao ar livre, o jardim volta a encher-se de pessoas, de sons, de bons momentos... E depois de almoço, só apetece ficar a trabalhar por aqui, a ouvir o cantar dos "ucelli" (pássaros) e a sentir o calor do Sol. 

E é verdade que eu já aqui fiquei a trabalhar muitas vezes, pois parte do meu trabalho prático desenvolve-se num espaço que fica neste mesmo jardim. Enquanto trabalhava, podia igualmente espreitar dois esquilos que brincavam, uma lagartixa no muro que se deliciava com o sol, um pisco-de-peito-ruivo que bebericava água no lago, dois melros que namoravam... E eu que sorria com todo este idílico cenário.




A visita de Perséfone ...II

Algumas imagens da Visita de Perséfone, aos jardins desta cidade, captadas no passado fim de semana...







"Colhe a alegria das flores da primavera e brinca feliz enquanto é tempo. Sempre haverá os dias em que chegará o inverno e não terás o perfume das flores, nem o sol, nem a vivacidade das cores."

(Augusto Branco)

26 março 2012

Este fim de semana...


Este fim de semana,  foi completamente passado nas ruas desta movimentada cidade. A Primavera chegou com todo o seu esplendor, só apetece passear e aproveitar um pouco de Sol... E exactamente para festejar a chegada desta estação, muitos dos jardins e monumentos da cidade estiveram abertos de forma gratuita e com algumas actividades, permitindo novos passeios, novos olhares...

Muito desse tempo a passear nas ruas e jardins da cidade, foi para fotografar, para não  variar, mas desta vez com outro objectivo, pois tinha de realizar vários exercícios práticos para um Curso de Fotografia que estou a frequentar.









22 março 2012

"Aguário..."




"Que idade
tem o rio?
Sua infância flui
sempre menimesma
Sua voz permanece azul,
água aberta, alçapão
por onde o tempo perde a voz
e o imenso se faz imerso

Fumo molhado
que todos bebemos
crença que aprendemos:
a vontade do rio
morrendo eterna no infinito

Pássaro:
quem decepou tuas raízes?

Terra fluida
e transparente,
margem e leito
se invertem no percurso
até o mundo
ser um rio de águas lentas,
sólidas e sonolentas
tão devagarosas
que escapam da moldura do tempo"

(Mia Couto)

21 março 2012

"O amigo indiano..."


(o senhor da foto, não é o "amigo indiano")


Ontem, ao final do dia, ao passar na Ponte Vecchio, pensava no meu “amigo Indiano”…

Desde sempre, que me lembro de um senhor, que me parece Indiano (eu nem sei ao certo!),  a distribuir folhetos de um restaurante, ao final do dia, na Ponte Vecchio.

Inicialmente, eu passava e ele dava-me também um folheto...até que ele começou a memorizar a minha cara. E um dia, ao dar-me o folheto reconheceu-me, sorriu e recolheu o mesmo… - ”Esta já conhece, não vale a pena gastar papel!” - terá ele pensado.

O tempo foi passando, até que um dia, à mesma hora e no mesmo local,  recebi um grande "Ciao!!"...ao que eu respondi com um sorriso.
E depois desse dia, quando nos encontramos, sempre na Ponte Vecchio, cumprimentamo-nos com um sorriso e um "Ciao!" .

Houve uma altura, em que não era ele, mas outro senhor que ocupava o seu local de trabalho ao final do dia.  Passado esse período, e após uma temporada que estive em Portugal, ao passar na ponte, reparo que ele está numa das extremidades e eu na outra, olho e nada mais…
Mas, assim que ele me vê, acena e grita, no meio de toda aquela multidão (típica daquele local), um enorme “Ciao!” (com uma tal emoção por me ver, parecia ter encontrado uma amiga de longa data..), perante isto, eu só consegui continuar o meu caminho a sorrir e a pensar... Tenho um "amigo" Indiano, supostamente Indiano, do qual nada sei, mas que me cumprimenta da forma mais simpática e efusiva do que muitos conhecidos ...

São estes pequenos momentos, estes pormenores e histórias, que também fazem parte dos dias de uma estrangeira. Uma estrangeira, que em parte já respira esta cidade como sua!

"Pergunta-me..."





"Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser

se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer"

(Mia Couto)