19 março 2012

Finesettimana...


E assim se passou, mais um preenchido fim de semana, para além da visita a mais uma feira, pois finalmente fui conhecer a “Fortezza Antiquario”. Houve tempo para um rápido passeio pelo “mercado biológico” e ainda as habituais deambulações pela cidade. Para completar o fim de semana, houve uma enriquecedora caminhada pelo bosque, e um regresso a Fiesole. Uma pequena cidade, próximo de Florença, que nos permite uma soberba vista sobre a mesma...

Por coincidência, havia também um mercado, de artesanato, nesta pequena terrinha (são eles que “brotam”, pelas praças, não sou eu que os procuro!).








Fiesole

18 março 2012

Hoje de manhã no "Mercado Biológico"...


Hoje de manhã, fiz uma rápida visita ao "mercado biológico", para comprar um delicioso pão de cereais e uma torta de limão (a melhor de Florença e arredores).
E mais uma vez, a Piazza Santo Spirito, palpitava de vida e cor... 











17 março 2012

"Fortezza Antiquario..."


Depois de a semana passada, aqui ter falado da Feira de Antiguidades e Velharias, na Piazza de Santo Spririto. Hoje repeti a dose, finalmente fui à "Fortezza Antiquario", outra feira do género, muito maior, da qual já tinha ouvido falar, mas que só hoje consegui ir espreitar...

Pois, por aqui, há sempre um mercado ou uma feira aos fins de semana. E amanhã temos "Mercado Biológico"...











"Em todas as ruas..."


(foto de filipe's glance)

"Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 
conheço tão bem o teu corpo 
sonhei tanto a tua figura 
que é de olhos fechados que eu ando 
a limitar a tua altura 
e bebo a água e sorvo o ar 
que te atravessou a cintura 
tanto    tão perto    tão real 
que o meu corpo se transfigura 
e toca o seu próprio elemento 
num corpo que já não é seu 
num rio que desapareceu 
onde um braço teu me procura 

Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco" 


(Mário Cesariny)

15 março 2012

"Memória de um pintor desconhecido..."





"Os presos contam os dias

eu as horas

nesta prisão maior onde um olhar ficou boiando

e uma voz um som de passos perseguidos
na sombra perseguindo a segurança
fugidia

Na cidade que amo e a sós comigo
é talvez só futuro ou já saudade
com alma bem nascida entre o fragor de máquinas, cimento e energia
atômica indefeso entre irmãos de cárcere demando
a voz que foge os irmãos que não vejo
o brando olhar que guarda o meu desejo
e só consigo
ver o gomoso arrastar das horas e das horas
tantas horas
à baioneta marcadas por uma sentinela
aos quatro cantos da janela
gradeada
do dia-
a-dia onde não há
mais nada

Que nada são os dias e os anos
para um tão grande amor que vou pintando
com o próprio sangue os meus e teus enganos
que há de nascer que há de florir que há de
e há de e há de
quando?"

(Mário Dionísio)

 

14 março 2012

La nostra famiglia...



Quando falei dos meus primeiros tempos por Florença (Como o tempo passa...), mencionei que no primeiro ano, partilhei esta fantástica cidade com um simpático grupo de portugueses...

Pois bem, hoje apetece-me falar um pouco mais, em particular, de alguns elementos desse grupinho... e que tiveram uma grande importância na minha adaptação e primeiras vivências por terras de Dante, elementos esses que passaram  a fazer parte da minha “árvore das amizades”.

Passado pouco tempo, apenas alguns dias, de eu ter chegado a Florença, chegou também a C., que eu já conhecia e com a qual já tinha uma certa ligação (havia lhe dado aulas, imaginem!!), e com a C. chegaram mais 3 portuguesas, e foram todas viver para a mesma casa...
Coitadas, no dia em que chegaram, exaustas e um pouco assustadas, diga-se de passagem, apareceu uma portuguesa maluca (eu) na casa delas, que não falava português há algum tempo, que estava também ela exausta da sua infrutífera busca de casa, e ao chegar lá, sem as conhecer, começa  a falar que nem uma louca durante mais de 30 minutos, sem parar... Não sei o que pensaram, mas desconfio que deve ter sido algo como: “Mas, quem é esta maluca?". Este foi o nosso primeiro contacto!

No início, e porque a vinda delas para esta cidade tinha um objectivo diferente, um espírito diferente, não convivemos muito. Para elas era tudo novo, ainda tinham mais para descobrir do que eu, que pelo menos já conhecia a cidade e falava italiano.

Mas, com o tempo, criou-se uma forte relação, principalmente com a C., a M. e a S.
Eram frequentes as jantaradas na “minha casinha de bonecas” ou no “estado de baco” (a casa delas), as caminhadas pela cidade, as típicas festas de Florença e nos arredores. As visitas que ambas iam recebendo e que partilhávamos, como se todas estivessem  a receber  a visita de parentes, mas parentes esses em comum.
Ou seja, nós éramos já como uma família, construímos aqui “la nostra famiglia”. E não sei bem quando, eu passei a ser a “mamma”, por ser a mais velha, por ser aquela a que recorriam (e ainda recorrem) em dúvidas e conselhos...

E assim ganhei três “filhotas”, três amigas, com as quais dividi tanto, neste país, nesta cidade, na minha casa...na nossa Specola. E com as quais mantenho contacto, com as quais ainda partilho, à distância, muito do que por aqui vai acontecendo, mais próxima de uma ou de outra...mas sei que estão lá todas na “minha árvore”...e que teremos para sempre “la nostra famiglia fiorentina”.

Recordo com alegria alguns dos nossos momentos, nomeadamente quando vinham até minha casa, unicamente para desfrutar dos meus livros (um em particular, que elas próprias me ofereceram), e simplesmente ficavam por ali a ler...

Desde que voltaram para Portugal, nunca mais tive oportunidade de estar com nenhuma delas, estamos sempre a pensar num grande reencontro, que na verdade, seria perfeito aqui na nossa cidade, nos nossos cantos, a recordar de forma nostálgica alguns episódios. Muitas vezes também me dá a nostalgia (como agora), e sinto a falta delas, apesar de ter tido sempre os meus hábitos individuais, que mantenho, tinha sempre associado, os nossos hábitos, os nossos momentos...

Até um possível reencontro, fica a recordação de todos estes momentos e como costumo dizer...”We’ ll always have Florence!”.

Ponte Vecchio...



É sem dúvida o “postal” de Florença, a imagem mais conhecida desta cidade. Todos os que  a visitam, querem tirar uma foto da, ou na Ponte vecchio...Eu própria, acho que a fotografo todas as semanas. Mas, como costumo dizer, é uma ponte muito fotogénica, e depois eu tenho o privilégio de passar na outra, na ponte Santa Trinitá e contemplar a “ponte fotogénica”...a diferentes horas do dia, com diferentes tonalidades, sob uma luz natural diferente, em dias de sol, em dias de chuva....E todos esses instantes são bons para a captar.
Como aqui disse, é também um ponto de contemplação e meditação!

Uma ponte que remonta a 1345, a mais antiga de Florença, inicialmente albergava as oficinas de carniceiros, curtidores e ferreiros (e que utilizavam o rio como escoadouro dos desperdícios), estes foram desalojados em 1593, por causa do ruído e do cheiro que provocavam. Reconstruiram-se as oficinas que foram ocupadas por ourives e as lojas que passaram a ladear o tabuleiro da ponte, continuam ainda hoje a especializar-se em joalharia antiga.

Esta ponte foi sempre amada por muitos, consta que Hitler, em 1944, ordenou que todas as pontes de Florença fossem destruídas, excepto a que ele mais amava...a Ponte Vecchio (para grande infelicidade do seu amigo Kriegbaum, que também nutria uma paixão por uma das pontes de Florença, mas a Santa Trinitá).

Pois bem, eu gosto muito de a contemplar e fotografar, mas o que eu gosto mesmo e de atravessá-la à noite, quando as portadas de madeira das lojas estão fechadas, e a ponte esta deserta! Pois nesse momento consigo viajar no tempo e sentir a antiguidade daquela ponte, sentir a sua genuinidade...
Durante o dia, por vezes gosto de atravessá-la para sentir o alucinante movimento, mas na maior parte do tempo fujo, daquela confusão, principalmente nos dias em que é necessário pedir licença, para conseguir passar...

Agora que a atravesso algumas vezes  à noite, em que sou apenas eu, uma ponte medieval e o rio Arno, consigo imaginar-me naquele ambiente, mas alguns séculos antes...E acreditem, à noite o interior desta ponte torna-se muito mais atraente. Se fechar os olhos, consigo ouvir os cascos de um cavalo na calçada, as luzes que a iluminam facilmente se transformam em archotes, e de uma das janelas do palácio em frente consigo ouvir o som de um Cravo, que delicia o serão de uma nobre família...
Quando volto a abrir os olhos, sinto o frio da noite, volto a caminhar depressa, para alcançar o meu prédio, que também já foi um palácio, e onde ainda hoje se ouve o som de um violino...

13 março 2012

"De tarde viera alguém com flores..."


"De tarde viera alguém com flores - lírios,
jacintos, narcisos, despedidas - a a porta ficara
aberta desde então. Agora as traças ciciavam

lá fora numa alegria turva em redor de uma
lâmpada; e, sobre o banco do alpendre, jazia um
livro aberto na mesma página fazia quase um dia.

Batia-me nos pulsos uma vida vencida; e, mesmo
que a terra apenas aguardasse o fulgor da manhã
para chamar pelo teu corpo, tive a certeza de que
era sobre o meu que  a noite eternamente se abatia"

(Maria do Rosário Pedreira)

Leituras....



Desde muito cedo, os livros começaram a fazer parte da minha vida, sempre foram e sempre serão muito importantes. O livro só em si é um objecto que me diz muito, que me atrai...Objecto esse essencial para mim, e quem me conhece percebe isso perfeitamente, pois os meus espaços, estão sempre recheados de livros. Sempre que posso, ou melhor, todos os dias eu preciso de ler algumas linhas, algumas páginas de um livro.
Normalmente, as minhas leituras eram feitas em casa, em sossego...Mas, desde que vim viver para Florença, adquiri um hábito que gosto particularmente, o hábito de ler em esplanadas, praças e jardins...

Quando o tempo o permite, passar alguns minutos do fim de semana a ler um bom livro, num agradável local, é muito aprazível.
Neste fim de semana, mais uma vez, o local eleito foi um jardim, um que fica relativamente próximo da minha casa, ondecostumo ir passear, caminhar, correr, ler ou simplesmente pensar... É um espaço onde me sinto bem, e ali fico a ler algumas páginas, absorvida pelo livro, mas por momentos gosto igualmente de parar, olhar em redor, ouvir as crianças que vibram com as suas brincadeiras, observar alguém que passa de bicicleta, sorrir ao ver dois cães que brincam...sentir o sol, ouvir o cantar dos pássaros, e depois voltar ao meu livro...



12 março 2012

Por estes dias...



Por estes dias, as minha caminhadas pela cidade, reflectiram ainda alguns sinais de Inverno, mas os detalhes que mais me atraíram foram as, cada vez mais evidentes, pinceladas da Primavera... Começo a ser um pouco repetitiva, mas só pode ser a  vontade que tenho que cheguem os dias quentes, o sol, as flores, os perfumes e os sons desta estação que tanto me diz...