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04 julho 2012

Aqui ao lado...outra actividade...


(este texto encontra-se no post - O ínicio... - do novo espaço Salamander Trinkets...)

Sempre tive um grande fascínio por brincos, desde muito cedo que comecei a usar e até a coleccionar este acessório. Muitas vezes, alterava os brincos que comprava, para estar mais próximo do que pretendia na altura. Depois comecei a criar alguns dos meus próprios brincos e com o tempo a oferecer, no Natal e em aniversários, a alguns familiares e amigos, simplesmente por brincadeira...

Também para algumas ofertas especiais, criei alguns colares, que até ficaram giros, mas sem dúvida que gosto mesmo é de criar (construir) os brincos, combinar cores e imaginar diferentes formatos.

O meu interesse e paixão pelo mundo "handmade crafts" tem crescido muito nestes últimos tempos. Sempre que posso, apoio, contribuo e incentivo estes talentosos e criativos trabalhadores. Mas nunca pensei, em mostrar ou dizer, que também eu, gosto de fazer umas "coisitas" nos meus tempos livres.

Mas a bijuteria, é só uma parte, pois sempre que posso tento criar ofertas originais e personalizadas. Uma dessas minhas ofertas, foi uma bolsa em pano, para guardar/transportar o tabaco onça, filtros, mortalhas e isqueiro...


Nunca pensei, mas esta simples oferta tem suscitado alguns pedidos, mais uma vez de amigos.
Mas desta vez os amigos dos amigos também querem, e além disso solicitaram um espaço, onde possam conhecer as bolsinhas, bijuteria e afins...


Assim, surge este novo blog - Salamader Trinkets, e um nome, um nome que foi associado inicialmente só a bijuteria, mas que por ter algum significado pessoal, vai continuar a estar ligado às minhas criações manuais/artesanais...

Este novo blog e todas as ideias a ele associadas, estão ainda numa fase muito embrionária!!

15 junho 2012

Ainda Venezia...



Como forma de recordar os bons momentos dos nossos passeios por Veneza, diurnos e nocturnos, mais algumas fotos da enigmática cidade das máscaras...


(todas as fotos de filipe's glance)





03 maio 2012

"Ontem senti-me triste..."


"Ontem senti-me triste - triste e aborrecido; e quando me levantei esta manhã estive quase decidido a deixar Florença. Mas saí para a rua, ao pé do Arno, olhei para um lado e para o outro - para o rio amarelo e para as colinas violetas - , e então decidi ficar - ou melhor, não decidi nada. Fiquei simplesmente ali parado contemplando a beleza de Florença, e antes de ter saciado o olhar já tinha recuperado o bom humor (...)."

(Henry James in "Diário de um homem de 50 anos")

02 maio 2012

"Sobre a ponte eu estava..."

foto de filipe's glance


"Sobre a ponte eu estava,
Há dias, na noite cinzenta
Ao longe ouvi uma canção:
Ela pingava gotas de ouro.
Pela superfície trêmula
Gôndolas, luzes, música -
Ébria ela nadou para a escuridão…
Minha alma, um alaúde,
cantou a si, invisível e ferida,
uma canção veneziana, e segredou,
trêmula de ventura colorida.
Será que alguém a escutou?"

(Friedrich Nietzsche)

Veneza Nocturna...




Como já aqui havia referido, os passeios na Veneza nocturna podem ser muito agradáveis, pois com o cair da noite  a cidade torna-se mais silenciosa, sombria e misteriosa. 
Venezianos e turistas, quase que por magia, desaparecem e deixam as ruas mais apelativas.

Principalmente com o objectivo de fazer algumas experiências fotográficas nocturnas, percorremos, mais uma vez, as labirínticas ruas da sereníssima...E não fossem as noites estarem tão frias, os passeios e descobertas nocturnas teriam sido ainda melhores.

E como não poderia deixar de ser, a mente de alguém que muito leu sobre os mistérios e personagens nocturnas desta cidade, pode imaginar o vislumbre de um vulto na noite, de uma personagem envergando uma máscara e uma capa...E pensar, se será o ambiente mágico desta cidade que gerou todas as histórias e personagens, ou se são essas fictícias personagens que invocam o referido mistério?


(todas as fotos de filipe's glance)








06 abril 2012

Páscoa...

(foto de filipe's glance)

Desde que vim viver para Florença, que fico sempre por cá pela altura da Páscoa, o que me permite conhecer algumas das tradições Fiorentinas, na comemoração desta data. 

Uma das tradições é "Lo Scoppio del Carro", ou a Explosão da Carruagem, que se realiza no Domingo de Páscoa. Um carro dourado do século XVIII é puxado por dois  bois brancos, pelas ruas da cidade até às portas da catedral. Depois, um foguete em forma de pomba (consta que em tempos, era mesmo uma pomba) desce por um arame, acima do altar-mor, e vai inflamar o fogo-de-artíficio escondido no carro. Esta cerimónia, que evoca a Ressureição, vem dos ritos pagãos da fertilidade.
Muitos Toscanos acreditam que o bom êxito deste espectáculo, anuncia  as boas colheitas do ano.

E neste domingo, mais uma vez, a Piazza del Duomo  enche-se de fiorentinos, mas maioritariamente de turistas, para tentarem ver, por entre a imensa multidão, o arder da carruagem, o cumprir desta interessante tradição.

05 abril 2012

"Amanhã, meu amor, já não terás..."

(foto de filipe's glance)

"Amanhã, meu amor, já não terás de ouvir-me contar
quantos dias não passaram por falta dos teus beijos;
nem quantas noites estranhei a cama onde sempre dormi
e acordei no escuro gritando pelo teu corpo, e gemi
depois baixinho, como um cão perdido, até um feixe
de luz decepar o meu quarto e o eco da cidade me
devolver o rumor da vida. Os meus lábios estarão
então tão frios para palavras como são frios os ventos
que se encostam às esquinas; e frias também as águas
que tiritam nos lagos onde repousa o gelo das manhãs.

Amanhã, meu amor, já não terás de ver nos meus olhos
o reflexo das velas cansadas das viagens; nem das aves
que sobrevoaram o cais, mas por descrerem do verão,
desistiram de perseguir os barcos que se foram a um país
de sol. E não terás também de ver as minhas lágrimas, porque
a mão de um anjo virá cerrar-me as pálpebras para esconder
deste mundo que a morte nunca chega para quem ama.

Amanhã, meu amor,  já não terás de desviar-te dos gestos
que, sem querer, escorregavam dos meus dedos; nem
de pressentir os espasmos de desejo na carne que as tuas
mãos desabitaram; e não terás de saber que, pela última vez,
me perfumei para ti - porque haverá em todo o caso
demasiadas flores, e o meu corpo estará então inerte
como as sombras que pernoitam nos veios das montanhas
ou os seixos que nasceram nas praias que o mar  nunca tocou.

Amanhã, meu amor, já não terás de ler os avisos que soprei
tantas vezes na queimadura de uma página; nem as feridas
abertas nesses riscos que eu fazia nas toalhas de papel quando
o teu silencio era mesmo um parágrafo e o meu pranto
desaguava num fio de tinta que escorria para dentro da tua mão.
As canetas terão então secado; e os meus versos serão velhos
como os livros mutilados pelas traças, velhos como a vida,
e vãos como os nomes acumulados inutilmente na memória."

(Maria do Rosário Pedreira)


20 março 2012

" A estátua pensa..."

(foto de filipe's glance)

"A estátua pensa em tudo o que acontece à sua volta.
Tantos gestos, tantos passos, tanto movimento
difícil de justificar. As pessoas passam, passam as
pessoas, pessoas, pessoas, passam, passam. Ninguém
sabe o que pensam as pessoas que passam. Talvez
pensem que passam, apenas. Talvez não pensem, 
apenas passem. As pessoas a passar, a pensar
ou não. Gestos, passos, movimentos e a estátua
no centro exato do seu próprio pensamento." 

(José Luís Peixoto)

17 março 2012

"Em todas as ruas..."


(foto de filipe's glance)

"Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 
conheço tão bem o teu corpo 
sonhei tanto a tua figura 
que é de olhos fechados que eu ando 
a limitar a tua altura 
e bebo a água e sorvo o ar 
que te atravessou a cintura 
tanto    tão perto    tão real 
que o meu corpo se transfigura 
e toca o seu próprio elemento 
num corpo que já não é seu 
num rio que desapareceu 
onde um braço teu me procura 

Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco" 


(Mário Cesariny)

11 março 2012

"Poema da despedida..."

(foto de filipe's glance)


"Não saberei nunca
dizer adeus

Afinal,
só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser

Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos

Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo."



(Mia Couto)

29 fevereiro 2012

"Aaron's Rod" - Florence...

foto de filipe's glance


"The very afternoon after Aaron's arrival in Florence the sky became dark, the wind cold, and rain began steadily to fall. He sat in his big, bleak room above the river, and watched the pale green water fused with yellow, the many-threaded streams fuse into one, as swiftly the surface flood came down from the hills. Across, the dark green hills looked darker in the wet, the umbrella pines held up in vain above the villas. But away below, on the Lungarno, traffic rattled as ever. (...)"

(D. H. Lawrence)

14 fevereiro 2012

O Amor em Florença...

foto de filipe's glance

Quando passeamos em Florença, principalmente junto ao gradeamento das pontes, não podemos deixar de reparar nos “Lucchetti di amore”, que é como quem diz, os cadeados do Amor.

É uma prática corrente entre os casais apaixonados que visitam Florença, colocarem um cadeado, com os seus nomes, no gradeamento de uma das pontes. A simbologia desta prática, que não se sabe  quando começou, é a ligação eterna entre o casal!

Inicialmente, os cadeados eram só colocados na Ponte Vecchio e as chaves dos mesmos lançadas ao Arno. Actualmente esta prática é proibida, pois a quantidade de chaves acumuladas no fundo do rio era impressionante, assim como é impressionante a quantidade de cadeados que podemos observar ao longo das pontes.

Com a quantidade de turistas, entre eles imensos casais apaixonadas que passeiam por Florença diariamente e juram amor eterno deixando o seu “luccheto di amore”...a quantidade desses mesmos cadeados actualmente seria abismal, não fosse a limpeza periódica que os mesmos sofrem...

Mas, se a simbologia é o amor e ligação eterna, se estes cadeados são removidos,  haverá uma quebra nessa simbologia?
Ou será que apenas o acto em si, é suficiente, que não é necessário que o “luccheto” permaneça eternamente na ponte ?
Será que os milhares de cadeados simbolicamente aqui colocados, significam milhares de almas entrelaçadas por toda a eternidade?

Não sei a resposta a nenhuma destas questões e acho que ninguém sabe...

Florença é uma cidade mágica e romântica, que serviu de cenário e refúgio a tantos enamorados. 
Acho que só o facto de a partilhar com alguém especial é suficiente para eternizar belos momentos.

Os “luccheti", não são o único símbolo de “amor em Florença”, mas são o mais curioso...


foto de filipe's glance

12 fevereiro 2012

"Um pedaço de céu..."


"Tu, a que eu amo nesta manhã
que trouxe a tua imagem com os ruídos
da rua, vai até à janela,
levanta as persianas do quarto, e olha
o céu como se ele fosse
um espelho. Diz-me, então, 
o que vês? As nuvens que passam
pelos teus olhos? Um azul cuja
sombra te desenha o contorno
das pálpebras?  A mancha rosa do nascente
que o horizonte roubou ao
teu rosto? Mas não te demores. Um espelho
não se pode olhar muito tempo; e
o céu da manhã é dos que mudam com
as variações da alma. Pode ser que o céu
roube um sorriso aos teus lábios: e
mo traga, para que eu o ponha neste poema,
onde te vejo, um instante, enquanto
a manhã não acaba." 

(Nuno Júdice)

27 janeiro 2012

"Cidade de Muitas Torres..."

foto de filipe's glance


"Durante muitos anos construíram
sólidas torres. Fizeram-nas altas:
torres de ataque e torres defensivas,
e ao combate civil se acostumaram.
Depois a emulação e o ouro escasso
buscaram os mais pobres materiais.
Amíude caía uma das torres:
também se acostumaram ao escombro.
Por atacar a lei sobre edifícios
desse lugar absurdo me expulsaram.
Ao ver pela primeira vez de longe
aquela proliferação de torres
que nenhuma muralha protegia,
causou-se riso um símbolo evidente.
Desde então eu dedico os meus esforços
a investigar a causa dessas torres,
a redigir libelos infamantes,
a treinar minha hoste mercenária."

(Julio Martínez Mesanza)

13 janeiro 2012

"Amanhã vou acordar em Florença..."

foto de filipe's glance

"Amanhã vou acordar em Florença
sem que nada o faça prever
se o sol prevalecer
sobre o mármore do palácio
e a cúpula do Duomo
escreverei o prefácio
de um livro de poemas
dedicado a Giotto
ou uma comédia nova
como faria Dante

amanhã vou pintar um quadro
renascentista
à maneira de da Vinci
esculpir uma estátua branca
sem cera
como Miguel Ângelo

amanhã serei um mercador judeu
na corte dos Médici
mas celebrarei o sábado no
Tempio Maggiore

amanhã ficarei na Ponte vecchio
a ver o sol adormecer
ao som de um alaúde."

(Brissos Lino)


08 novembro 2011

"Retrato do Herói"...

Foto de filipe's glance *


Como já aqui referi algumas vezes, o facto de não ser turista, nem italiana, permite-me observar com outros olhos o que se encontra à minha volta...nomeadamente os artistas de rua, que com as suas pinturas, a sua música ou com algumas habilidades particulares (engolindo fogo ou caminhando sobre vidros...) atraem e distraem quem passa...

Depois há os artistas da fotografia, com uma incrível sensibilidade, para captar  de forma sublime os momentos proporcionados por esses artistas de rua...

Parabéns Filipe  (Filipe’s Glance)!!   :-)

* 1º prémio da categoria Pessoas, no VI Concurso de Fotografia National Geographic Portugal.



24 outubro 2011

Beauties of the city...

Foto de Filipe's Glance

" I found a house at Florence on the hill
Of Bellosguardo. 'Tis a tower which keeps
A post of double observation o'er
The valley of the Arno (holding as a hand
The outspread city) straight towards Fiesole
And Mount Morello and the setting sun,
The Vallombrosan mountains opposite,
Which sunrise fills as full as crystal cups
Turned red to the brim because their wine is red.
No sun could die nor yet be born unseen
By dwellers at my villa."

(Elisabeth Browning)


12 outubro 2011

Florence...


Foto de filipe's glance


"... the most beautiful city I ever saw. It is surrounded with cultivated hills and from the bridge which crosses the broad channel of the Arno, the view is the most animated and elegant I ever saw. You see three or four bridges - one apparently supported by Corinthian pillars, and see the white sails of the boats relieved by the deep green of the forest which comes to the water's edge, and the sloping hills covered with bright villas on every side. Domes and steeples rise on all sides, and the cleanliness is remarkably great. "

(Percy Shelley, 1818 in Tuscany - A History, Alistar Moffat)

07 outubro 2011

Renascer com música...

Foto de filipe's glance

Para quem vive numa nova cidade (principalmente no estrangeiro, na minha opinião) existe um misto de sentimentos, não se é um turista, mas também não é aquela a nossa terra...E como tal consegue-se aproveitar de forma diferente os pequenos e agradáveis pormenores que a cidade tem para oferecer.

Um desses pormenores é a música que podemos sentir (ouvir) em cada praça, em cada recanto...

Os meus passeios ao final do dia, quando as praças e ruas desta cidade estão mais calmas, não seriam os mesmos sem esta melodia de fundo.

Eu sei que a maioria das pessoas da terra, não conseguem parar e apreciar um pouco do que estes artistas de rua, neste caso músicos, produzem. Também sei que muitos turistas ficam deliciados.

Eu sou um meio termo, já sei os nomes de alguns destes artistas, os locais mais frequentes onde os posso encontrar e o quão é agradável, por uns momentos, admirar aquela harmonia, pois é  o que sinto, existe uma harmonia nestes artistas, na sua música e no espaço em que eles se encontram.

Gosto igualmente de observar as pessoas e as suas reacções, quando param para assistir a este espectáculo momentâneo.

São estes alguns dos privilégios que acredito ter, consigo viver e sentir  a cidade de Florença, não como um turista, nem como um “filho da terra”... e isto  é muito agradável.


Foto de filipe's Glance