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01 março 2013

O Nascimento de Vénus, ou melhor, de Botticelli...

"Arte passageira..."  ou  O Nascimento de Vénus dos Madonnari


A 1 de Março de 1445 nascia, aqui em Florença, Sandro Boticelli, um dos meus pintores preferidos, no que se refere ao Renascimento.

Interessante saber que nasceu no mês da Primavera, a mesma estação que ele imortalizou numa das mais fascinantes obras do Renascimento, não fosse esta também a minha preferida...”A Primavera. Desde pequena que sempre achei curioso descobrir coisas que tivessem o meu nome, com esta descoberta fiquei seduzida, mas vê-la em todo o seu esplendor aqui na Galeria Ufizzi ..."É o Sonho de uma Vida!" (RB).

Ao ler alguma informação sobre a vida do artista, descobri que nasceu e passou a sua infância no bairro de Ognissanti, que por coincidência é o bairro onde vivemos actualmente!
Da nossa janela observamos uma torre, que segundo o Filipe é o único símbolo que nos permite dizer 'casa com vista'... Essa torre pertence à Igreja de Ognissanti, onde o corpo do famoso pintor se encontra sepultado (desde 1510) e onde podemos conhecer uma simpática obra do mesmo - Êxtase de Santo Agostinho.

Foi um dos protegidos da família Médici, para  a qual executou preciosos registos de pintura com cunho mitológico, mas esta não foi a única família para quem trabalhou, pois dedicou grande parte da carreira às grandes famílias Fiorentinas. Mas, sem dúvida que foram os Médici que lhe proporcionaram as condições para que produzisse várias das suas obras primas, nomeadamente  Minerva e Centauro, (a referida) Primavera e O Nascimento de Vénus, as duas últimas foram encomendas para a residência destes seus protectores.

Acho que nem consigo imaginar o que é ter, numa residência, obras como estas, obras que nos tiram a respiração...

Como seria/será conviver diariamente com tais obras?

Nos tempos de hoje, se tivesse uma Primavera na minha sala, acho que nunca mais olhava para a televisão ou nem me conseguiria concentrar a ler um livro, ficaria eternamente perdida em todos os pormenores e na imensa quantidade e variedade de flores ali representadas...



27 março 2012

Primavera nella Specola...



E quando a Primavera chega ao jardim da Specola, estas são algumas das suas cores...

Mas, mais do que cores, é o ambiente deste pequeno e acolhedor jardim, que se transforma. Nesta época, e porque se está aqui muito bem, voltamos a almoçar ao ar livre, o jardim volta a encher-se de pessoas, de sons, de bons momentos... E depois de almoço, só apetece ficar a trabalhar por aqui, a ouvir o cantar dos "ucelli" (pássaros) e a sentir o calor do Sol. 

E é verdade que eu já aqui fiquei a trabalhar muitas vezes, pois parte do meu trabalho prático desenvolve-se num espaço que fica neste mesmo jardim. Enquanto trabalhava, podia igualmente espreitar dois esquilos que brincavam, uma lagartixa no muro que se deliciava com o sol, um pisco-de-peito-ruivo que bebericava água no lago, dois melros que namoravam... E eu que sorria com todo este idílico cenário.




A visita de Perséfone ...II

Algumas imagens da Visita de Perséfone, aos jardins desta cidade, captadas no passado fim de semana...







"Colhe a alegria das flores da primavera e brinca feliz enquanto é tempo. Sempre haverá os dias em que chegará o inverno e não terás o perfume das flores, nem o sol, nem a vivacidade das cores."

(Augusto Branco)

21 março 2012

"Pergunta-me..."





"Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser

se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer"

(Mia Couto)

20 março 2012

A visita de Perséfone...


Um dia, quando Perséfone passeava pelo campo e colhia violetas (Viola odorata ....talvez) entre outras plantas.... a Terra abriu-se e Hades, senhor do Reino dos Mortos, raptou-a ...

Perséfone era filha da deusa Deméter (ambas conhecidas simplesmente como "As Deusas"), que regia a fertilidade dos campos e das colheitas (em especial dos cereais). A mãe procurou a filha por muitos locais (existiam locais específicos que os antigos diziam terem sido visitados por Deméter durante a sua demanda, onde ela tinha repousado, etc.). Quando, finalmente, soube qual era o amargo destino reservado à sua filha, não o aceitou e exigiu que Perséfone lhe fosse devolvida.
Uma lei primeva dizia que quem estivesse no Mundo dos Mortos não poderia ingerir qualquer alimento, sob pena de não regressar ao Mundo dos Vivos....Acontece que, enquanto estava no Mundo dos Mortos, Perséfone ingeriu uma semente de romã, ficando, assim, impedida de regressar....
Mas a mãe ameaçou matar os humanos à fome, impedindo que os cereais se desenvolvessem nos campos. Então, os Destinos e os Deuses Supremos aceitaram que Perséfone regressasse, mas apenas por seis meses (não é impunemente que se quebram Leis Eternas, como Perséfone havia feito....).

Quando recebe Perséfone, após seis meses de ausência, Deméter (Ceres) rejubila e os campos enchem-se de flores (Primavera).... o tempo passa e a doçura do reencontro dá lugar ao calor do Verão...Perséfone volta para o Mundo dos Mortos....a mãe entristece-se (Outono)....as saudades gelam o seu coração (Inverno).....mas eis que Perséfone retorna... Primavera.....assim explicavam os gregos a sucessão das estações....uma Lei de Eterno Retorno.....ligada à paixão de Perséfone pela magnífica romã (Punica granatum).









Algumas imagens, que ilustram,  a visita de Perséfone aos jardins de Florença, em 2011...

"Não tenhas medo do amor..."



"Não tenhas medo do amor. Pousa a tua mão
devagar sobre o peito da terra e sente respirar
no seu seio os nomes das coisas que ali estão a
crescer: o linho e genciana; as ervilhas-de-cheiro
e as campainhas azuis; a menta perfumada para
as infusões do verão e a teia de raízes de um
pequeno loureiro que se organiza como uma rede
de veias na confusão de um corpo. A vida nunca
foi só Inverno, nunca foi só bruma e desamparo.
Se bem que chova ainda, não te importes: pousa a
tua mão devagar sobre o teu peito e ouve o clamor
da tempestade que faz ruir os muros: explode no
teu coração um amor-perfeito, será doce o seu
pólen na corola de um beijo, não tenhas medo,
hão-de pedir-to quando chegar a primavera."



(Maria do Rosário Pedreira)

12 março 2012

Por estes dias...



Por estes dias, as minha caminhadas pela cidade, reflectiram ainda alguns sinais de Inverno, mas os detalhes que mais me atraíram foram as, cada vez mais evidentes, pinceladas da Primavera... Começo a ser um pouco repetitiva, mas só pode ser a  vontade que tenho que cheguem os dias quentes, o sol, as flores, os perfumes e os sons desta estação que tanto me diz...






04 março 2012

"Aprendizagem da Primavera..."


E se é a despedida das desnudas árvores, também é a chegada de novos rebentos, que anunciam o regresso da Primavera...





"Depois
 a mulher deitou-se

A sombra da terra
 tombou sobre o céu

Não sei o que te invento
 se amo mesmo quando não és

Não sei o que te amo
 se te invento como és

Palavras que voltam
 se não voltas
 Cega-nos a mesma noite
 o mesmo suspiro
 de duas mãos entrelaçadas"

(Mia Couto)