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01 fevereiro 2014

"Misteriosa Rapariga da Sombrinha Vermelha" - Exposição e Coincidências... (II)


"Ó amor que o céu governas,
sabes, que com teu lume me elevaste!"
Dante
Paraíso, I, 74-75


Continuando a falar da simbologia, que descobri, associada à exposição de fotografia – “A Misteriosa Rapariga da Sombrinha Vermelha”... :-)

A fotografia aqui apresentada, é uma das que suscita mais comentários, pois todas as pessoas olham para a imagem e dizem ter sido captada num dos poços da Quinta da Regaleira, em Sintra.
Na realidade, esta imagem foi captada, na nossa viagem por Itália, no verão de 2012, mais precisamente no Pozzo de San Patrizio, em Orvieto. Como aqui referi, este poço, semelhante a uma Torre de Babel invertida é um local que provoca vertigens e arrepios. E encontra-se associado às lendas medievais sobre o Purgatório de São Patrício na Irlanda.
Na nossa visita e descida ao poço, também comentámos as semelhanças com os poços iniciáticos da Quinta da Regaleira. Uma singular quinta, repleta de simbologia...

Mas, as coincidências não terminam por aqui...
No final do século XIX, a referida quinta, em Sintra, foi adquirida por António Carvalho Monteiro que desejando espelhar na sua propriedade algum simbolismo, contratou Luigi Manini, pintor, cenógrafo e arquiteto Italiano.
Não é o facto do arquiteto ser Italiano que conduz a alguma coincidência, mas sim o facto de, para a projeção de jardins, poços, grutas e capelas, que sugerem fortemente um percurso iniciático, o artista se ter inspirado, na obra de um conhecido “filho de Florença” – na Divina Comédia de Dante Alighieri.

O percurso de Dante pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, descrito na referida obra, está presente nos jardins da Regaleira, em três etapas:
“ a descida do poço com nove níveis, tal como os nove círculos do Inferno de Dante;
a saída para a luz através da passagem pelo lago até chegar à clareira na floresta;
 a ascensão subsequente no exterior da montanha.”
(José Manuel Anes, Dante na Quinta da Regaleira in David Kingsley, Inferno Decifrado)

Encontra-se ainda, na quinta, outra simbologia associada a Dante e ao seu enigmático número 515 (que surge no  purgatório).
“o 515 de Dante está presente na Quinta em dois bancos dos jardins e outro no interior do Palácio, contendo todos a estrutura simétrica 5-1-5, em que o ‘1’ é a figura central, a dama com tocha, jovem (a sua amada Beatriz?) (...) e ambos os ‘5’ são as ameias, ou morelões, que ladeiam essa figura central(...)”(José Manuel Anes, Dante na Quinta da Regaleira in David Kingsley, Inferno Decifrado)

Isto sim, eu considero coincidência (e eu que gosto tanto de coincidências), Dante – o poeta de Florença- estar representado simbolicamente no poço de uma quinta em Sintra. Terra onde, neste momento, se pode visitar uma misteriosa exposição e observar uma fotografia, na qual eu me encontro no interior de um poço iniciático, em Itália, mas que todos pensam ser o Poço Sintrense, fortemente relacionado à obra de um Fiorentino!

Terão os deuses, ou a deusa Cíntia, conspirado para que este fosse o meu percurso, depois da encantadora Florença...a misteriosa, e não menos encantadora,  Sintra?? :-)


03 setembro 2012

Vacanze - giorno cinque...


O passeio nocturno por Orvieto no dia anterior, deixou-nos com muita vontade de conhecer melhor  a cidade à luz do dia.



Iniciámos o nosso percurso na zona oeste, a região medieval, percorrendo ruas e ruas de história e dando particular atenção ao admirável Duomo, símbolo de arquitectura romanico-gótica,  efectuamos ainda o ritual de descida e “purificação” no Pozzo de San Patrizio. Semelhante a uma Torre de Babel invertida, para muitos este é um local que provoca vertigens e arrepios. Estas sensações terão inspirado a designação do mesmo, associada às lendas medievais sobre o Purgatório de São Patrício na Irlanda, segundo as quais essa gruta da Station Island teria sido identificada como entrada para o inferno.



Após um cuidado passeio por esta curiosa cidade que há muito queria conhecer, dirigimo-nos a outro singular paese - Civita di Bagnoregio , “la città che muore” (“a cidade que morre”) – que remonta ao período pré-etrusco. Passando igualmente pela Abbazia dei SS. Severo e Martirio, para um rápido passeio.
A ideia era mesmo chegar à Civita di Bagnoregio, que poucos conhecem e quase não se encontra assinalada em mapas e guias, mas felizmente a Dona Selita deu-nos a indicação de tão singular local...Mas pelo calor que se fazia sentir aquela hora do dia, decidimos apreciar este local único à distância, não cumprindo a viagem no tempo que uma visita a esta terra nos proporciona.
Esta recebeu a denominação de “la città che muore” pelo escritor local Bonaventura Tecchi, pelo facto de a parte mais antiga e os muros que circundam o local, sofrerem com  a intensa actividade erosiva, o que diminui  a altura e a largura da mesma.



E porque o objectivo era chegar nesse mesmo a dia a outra das terras da Etrúria, Pitigliano, continuámos a nossa viagem. Esta localidade não era novidade para mim, mas pela sua particularidade, assim como os seu arredores, achei que seria interessante colocá-la no nosso itinerário. E como quem visita Pitigliano, quase que obrigatoriamente tem de visitar as cascatas de Saturnia, finalizámos o nosso dia em águas quentes e ricas em enxofre, para retemperar forças.



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02 setembro 2012

Vacanze - giorno quattro...


E como havíamos planeado, no dia seguinte tentámos conhecer as praias de Sirolo, a pérola do Adriático. Esta era a informação que os cartazes da estrada nos fornecia, no entanto, nós não concordamos com este slogan, voltámos a encontrar praias privadas, urbanas e muito movimentadas.
Deixando a costa do mar Adriático dirigimo-nos para Loreto,  uma pequena e peculiar terra, ainda nas Marcas, muito conhecida como local de peregrinação.



E voltámos então às longas viagens de carro, desta vez atravessando os campos da Umbria, para alcançar a terra dos chocolates Baci, a bela cidade de Perugia.
Uma cidade encantadora, considerada um das doze cidades da Etrúria, com ruas labirínticas, edifícios históricos, poços misteriosos e muitas lojas a vender chocolates e gelados...
Mas, o caminho para aqui chegar, cheio de agradáveis paisagens, mas igualmente estradas com muitas curvas, deixou-me impossibilitada de provar estas doces iguarias.




Há muito que tinha ouvido falar desta antiga terra de Etruscos, não fazia ideia é que iria ficar tão entusiasmada com o seu encanto. Constatámos igualmente que parecia ser uma cidade muito jovem, pois em cada rua e cada praça, fomos sempre encontrando variadíssimos grupos de jovens, só não conseguimos perceber se eram mesmo da terra ou simplesmente visitantes como nós.

Tínhamos imensa vontade de ficar mais tempo a conhecer e apreciar esta deliciosa cidade, mas o nosso destino nessa noite era Orvieto, que para mim também se avizinhava uma terra plena de antigos mistérios e de ruelas atraentes. Deixámos então a terra dos Baci, e deslocámo-nos na direcção de Orvieto.

O local que havíamos escolhido para passar a noite, era magnífico, para mim um dos melhores de toda a viagem, Casa Selita. O local além de sedutor, tinha uma proprietária incansavelmente simpática, que nos forneceu todas as indicações necessárias para um primeiro contacto com esta terra de sonho, simpáticos locais para tomar a primeira refeição e sugestões de passeios para a primeira noite.



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01 setembro 2012

Vacanze - giorno tre...


No nosso terceiro dia de férias e com as indicações do proprietário do bed and breakfast, partimos em busca das peculiares praias da Peninsula del Conero.

Com muita dificuldade, lá conseguimos alcançar uma da primeiras praias indicadas, a Praia de Mezzavalle (Portonovo), dificuldade que já esperávamos, pois a informação que tínhamos é que era uma praia de difícil acesso, com uma descida muito acentuada, mas que valia o esforço da descida e da subida, que teríamos de fazer mais tarde...
Subida que tentámos adiar, aproveitando ao máximo bons momentos na melhor praia que havíamos encontrado até então, uma praia silenciosa, libera e de águas cristalinas.



Após recuperar as forças do difícil percurso de regresso, decidimos ainda visitar as praias de Sassi Neri e San Micheli, mas desta vez usufruindo de um autocarro para fazer parte do percurso, pois temíamos que se avizinhasse uma caminhada tão difícil como as anteriores.




Apesar dos difíceis acessos a estas praias, a beleza das mesmas acabou por compensar o esforço e podemos, mesmo assim, dizer que este foi um dia de descanso, sem grandes viagens de carro, aproveitando o dia para ler, contemplar o mar e mergulhar nas suas águas calmas e transparentes...
Para finalizar o dia, voltámos a Ancona, para jantar e passear, onde nos deparámos com um espectáculo de teatro ao ar livre numa das praças principais – Piazza del Plebiscito - e desta forma finalizámos igualmente a nossa estadia nesta região.


Tínhamos por objectivo, no dia seguinte, ainda conhecer algumas praias de Sirolo, para depois prosseguir a nossa viagem em direcção a Orvieto, voltar ao interior e iniciar o nosso percurso por terras Etruscas...

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